quarta-feira, 21 de julho de 2010

"Pouco tempo, muita coisa..."

Eu tenho muita coisa pra escrever, e na verdade, já escrevi mas fiquei com vontade de mais.
Vontade essa que terei sempre pois não sei o como falar tudo em poucas linhas,
em poucos versos, ou alguma cantiga.
São só palavras.
Palavras tentam expressar algo que eu não sei como dizer.
Achava que elas falavam por mim, mas com você, descobri que o silêncio vale mais.
Vale muito mais.

Palavras não conseguem descrever o que sinto quando cruzo meu olhar com o seu.
Que só esse olhar, que é somente de mim pra você, e de você pra mim,
Consegue falar, gritar, sorrir e transmitir.

No ninho dos seus braços, um carinho no cabelo quase do tamanho do seu,
Um aconchego quente pra dormir apoiada, com um beijo de boa noite na testa,
Regado de tantas coisas que eu não sei falar. Só sei sentir.
Assim como você, também que não sei explicar.

Passou tempo, e nesse tanto passar de dias, que pra mim parece que foi ontem,
descobri que valeu.
Valeu arriscar e jogar tudo pro alto.
Valeu ter determinação, ter vontade de "nós".
Valeu não querer ser só uma.

Senti medo, senti receio, descobri ter uma coragem que não tinha.
As vezes de cabeça erguida, outras nem tanto,
mas impulsionada por uma força até absurda, que tinha na sua essência uma certeza.

Mais uma vez "pouco tempo, muita coisa".
Muita coisa que só eu sei que senti,
que só eu sei que aprendi.

Tempo que me fez ver muitas coisas, que minha cegueira não permitia
e você, só você, me fez enxergar.
Foi uma porta pra um mundo novo incrível!
Cheio de cores, cheiros e gostos diferentes.
De texturas novas, suaves, quentes e frias.

Hoje, eu gostaria de verbalizar o que é amor, e descobri que não consigo.
Descobri que ele não é verbalizado e sim sentido, assim como você.
Logo, descobri o que é amor: você.

Você.
Eu.
Um nós, só nosso.


Nós.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O tempo.

O tempo, medida de nos localizarmos em nossas vidas. É um parametro igual para todos, e com isso passamos nossa vida, sem tirar uma coisa de nossas cabeças, em momento algum, esse tempo.
 Seja pelo nascer e pôr-do-sol, ou o clarear da lua. Sabemos que o tempo passa de alguma forma, e as vezes tão rápido que quando notamos, aquele milésimo de segundo tão importante já se foi.

O tempo é marcado pelos ponteiros do tic-tac do relógio, pela luz, pela rotina e também por acontecimentos.
Acontecimentos que marcam, que fazem ver tantas coisas que passaram e pareceram poucas semanas, mas na verdade, fazem um ano de vida.

De uma mudança significativa, e que apareceu na hora exata, no momento necessário, sem precisar mais ou menos, veio completo.
Quem diria, ou sonharia com isso. Ela um dia teve medo de acreditar. Medo de fazer errado, medo do incerto. Medo até de ser feliz.
E hoje só abre um sorriso brilhante, não por todo o tempo que passou, mas com que tanto viveu, o tanto que aprendeu e assim, cresceu e cresce. Desabrocha e assim, perfuma sua própria vida.

Viveu e vive mais do que anos e anos que se passaram sem muito fazer, em apenas um ano.
Um tempo de milênios. Um dia marcado.



domingo, 18 de julho de 2010

Para pensar, sobre não pensar.

"Amar é a eterna inocência, 
e a única inocência é não pensar..." (Fernando Pessoa) 
Pensar cansa,
Pensar faz confundir, e até desiludir.
Pode fazer ter razão, e quem sabe, conexão.

Mas de que seria de mim,
Se tanto esperasse de algo e com isso pensasse demais.

Faria pouco, faria até nada.
Desiludiria, perderia cor.
Perderia o sentir do não tátil e que só se sente com o que se vê.

Com isso, prefiro ver, e não pensar
Somente observar.
Tirar de cada muito que vejo, um pouco de sua essência.
Assim, juntando em mim, todas as belezas do não notado, por ser pensado.

Tendo em mim, todos os sonhos do mundo...

Carandaí - MG

terça-feira, 13 de julho de 2010

Na fazenda.

A limonada daquele limoeiro
O cheiro da terra seca, que ataca minha rinite
O cascalho que faz tropeçar e cortar os joelhos tão branquinhos, como a neve.
O quarto do vovô com seu chapéu e chicote.
O som alto pelas caixinhas coloridas.

Lembranças de uma família e amigos, todas situadas num mesmo local que até hoje, reúne as mais incríveis experiências.

A piscina já foi piscina, casa dos coelhos e hoje até é horta,
dos mais fresquinhos vegetais.
O galinheiro não é mais a casa das penosas, e sim,
abrigo para o milho que por ser cultivado com tanto carinho naquele solo, que ao assar na fogueira sob uma noite de luar, tem cheiro e sabor característico, só dele.

Os boizinhos e as vaquinhas pastam serenamente ostentando todo o orgulho de habitar aquele lugar.
Os passarinhos tem canto mais doce, o galopar dos cavalos é mais macio, e a água do rio tem a temperatura exata para entrar e pegar girinos que são fáceis de localizar pela transparência da água.

O engenho se assemelha a uma máquina do tempo e ao entrar e começar todo o processo artesanal de fazer a mais docinha rapadura, com toda a família, até os ancestrais se levantam de seus túmulos para presenciar um momento de tanta alegria e fraternidade.


O cheiro da comida no fogão a lenha e o espetáculo mais encantador: o planetário natural.
É possível observar rodas as estrelas e planetas. Também cometas e a via láctea, com tanta nitidez, que seu branco é igual ao leite, como se papai-do-céu tivesse pintado cada mínimo detalhe para contemplarmos sua arte no sereno frio, e mesmo assim, aconchegante, da madrugada.


E a dádiva de energia, abençoou o meu pedacinho tão grande do paraíso: os cristais.
Surgiram do nada e nos concebem belezas únicas. De todos os tamanhos e formas, até de coração já surgiu! Como na casa de Tio Alcino, só que lá, esses cristais chegaram até a virar lenda. De tanto que brilhavam durante a noite, refletindo os raios da Lua, assemelharam-se a faróis de um carro que parecia nunca chegar...

Essas e mais um monte de magias s ó acontecem lá, na fazenda.
E o jeito mais doce de finalizar, é com uma cantiga de autoria de minha mamãe para a pequena Thaís, sobre meu pedaço do céu:

"Era uma casa bem fechada,
abre a janelinha, deixa o sol entrar.

Perto da casa, tinha uma árvore
E os passarinhos, pousam nela sim!
E os passarinhos, cantam nela sim!

Perto da casa tinha uma ponte,
e debaixo dela, o rio passava..."

a 'Fazendeira'.