O cheiro da terra seca, que ataca minha rinite
O cascalho que faz tropeçar e cortar os joelhos tão branquinhos, como a neve.
O quarto do vovô com seu chapéu e chicote.
O som alto pelas caixinhas coloridas.
Lembranças de uma família e amigos, todas situadas num mesmo local que até hoje, reúne as mais incríveis experiências.
A piscina já foi piscina, casa dos coelhos e hoje até é horta,
dos mais fresquinhos vegetais.
O galinheiro não é mais a casa das penosas, e sim,
abrigo para o milho que por ser cultivado com tanto carinho naquele solo, que ao assar na fogueira sob uma noite de luar, tem cheiro e sabor característico, só dele.
Os boizinhos e as vaquinhas pastam serenamente ostentando todo o orgulho de habitar aquele lugar.
Os passarinhos tem canto mais doce, o galopar dos cavalos é mais macio, e a água do rio tem a temperatura exata para entrar e pegar girinos que são fáceis de localizar pela transparência da água.
O engenho se assemelha a uma máquina do tempo e ao entrar e começar todo o processo artesanal de fazer a mais docinha rapadura, com toda a família, até os ancestrais se levantam de seus túmulos para presenciar um momento de tanta alegria e fraternidade.
O cheiro da comida no fogão a lenha e o espetáculo mais encantador: o planetário natural.
É possível observar rodas as estrelas e planetas. Também cometas e a via láctea, com tanta nitidez, que seu branco é igual ao leite, como se papai-do-céu tivesse pintado cada mínimo detalhe para contemplarmos sua arte no sereno frio, e mesmo assim, aconchegante, da madrugada.
E a dádiva de energia, abençoou o meu pedacinho tão grande do paraíso: os cristais.
Surgiram do nada e nos concebem belezas únicas. De todos os tamanhos e formas, até de coração já surgiu! Como na casa de Tio Alcino, só que lá, esses cristais chegaram até a virar lenda. De tanto que brilhavam durante a noite, refletindo os raios da Lua, assemelharam-se a faróis de um carro que parecia nunca chegar...
Essas e mais um monte de magias s ó acontecem lá, na fazenda.
E o jeito mais doce de finalizar, é com uma cantiga de autoria de minha mamãe para a pequena Thaís, sobre meu pedaço do céu:
"Era uma casa bem fechada,
abre a janelinha, deixa o sol entrar.
Perto da casa, tinha uma árvore
E os passarinhos, pousam nela sim!
E os passarinhos, cantam nela sim!
Perto da casa tinha uma ponte,
e debaixo dela, o rio passava..."
a 'Fazendeira'.
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