quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mony, a super-heroína.

Hoje, começo aqui uma nova linha de textos, quem sabe com continuidade, quem sabe não...tudo depende de como isso vai fluir. Começo a saga de uma super-heroína, que tinha como codinome Mony.
O primeiro capítulo:
Eu, monstro?!

Mony era uma menina quase mulher, e por estar nessa fase de transição, a descoberta de que era uma super-heroína (como nos desenhos) foi muito mais difícil de ser aceita.
Descobriu poderes como: criação de uma esfera de proteção contra outros vilões, raios azuis contra ataques surpresas, pele elástica e também, poder de se teletransportar, o qual ainda aperfeiçoava.

Era manhã de quarta-feira, estava mais uma vez, atrasada para o primeiro horário e sem que ninguém visse, tentou se teletransportar para faculdade. Porém, como dito anteriormente, esse poder não estava totalmente desenvolvido, logo, a aterissagem de suas viagens normalmente eram em locais próximos e errados do que o que escolhia.

Caiu no chão com força e bateu a cabeça. Abriu os olhos ainda com a visão embaçada, e o pouco que conseguiu enxergar, foi uma sombra vindo em sua direção.
O local cheirava poeira, terra seca, mofo e calor. Não conseguia reconhecer ao menos onde poderia se encontrar (o que de costume conseguia). Existiam vários caixotes empilhados e um espelho no meio deles.
Com o susto da sombra, levantou-se rapidamente e perguntou:
-Quem está aí?-o silêncio permaneceu e apenas barulhos de passos podiam ser ouvidos-Fale logo, eu posso fazer algo contra você sem querer...

A sombra desaparecera, sem nenhuma explicação. Seu coração pulsava rápido, suas mãos suavam frio e mesmo com seus poderes, a paura era tanta, que impedia de realizar qualquer movimento.
Andou em direção ao espelho, pois era de onde vinha o pouco da luz do local, e ao olhar nítidamente viu o que se escondia na sombra, uma versão sua, porém borrada. Inocentemente, tentou limpar o espelho e nesse movimento, foi agarrada por uma mão asquerosa que saira de dentro dele. Tentou se soltar, e todo e qualquer esforço foi em vão.
O borrão de sua forma riu alto e disse: -Ei Mony, a muito tempo esperava por esse encontro...é mais fácil desistir antes de seu pulso machuque mais e você não terá pra quem gritar.

Mony, em um ato de desespero, com a outra mão tentou quebrar o espelho, e nesse soco, o espelho apenas brilhava como um espectro. Começou a gritar: -Quem é você?! O que quer?
O vulto, mediu cada milímetro de seu corpo e sem hesitar sussurou: - Você!
Já nesse ato, uma nuvem negra a cobriu e com o gás que parecia tóxico, desmaiou.

Horas depois acordou no banheiro de sua faculdade, sentada em um dos boxes. Mony ficou confusa com toda aquela situação a acreditava até na possibilidade de tudo aquilo fosse um pesadelo e que acabará de acordar e felizmente, conseguirá se teletranportar para o lugar certo.
Se arrumou e levantou o pulso para ver o horário em seu relógio quando viu as marcas de dedos compridos e arranhões. Aquilo não foi um sonho.
Ao sair do box, olhou-se de longe no espelho e não se reconheceu. A imagem era grotesca, e de si mesma, só que dessa vez imitava cada movimento seu, e não falava. Não era a imagem que antes tinha visto, era mesmo de si própria, sem borrões, apenas deformações.
Jogou a mochila contra o espelho, que dessa vez, se partiu em mil pedaços e correndo, foi em direção a sua sala.

No caminho, aos prantos, encontrou Livea, sua colega de sala: -Livea! O que está acontecendo com a minha cara? Com meu corpo? Eu me transformei da noite para o dia! Estou horrível, desfigurada!
Ao ver o desespero da amiga, Livea a pegou pelo braço e levou em uma sala vazia: - Amiga, você enlouqueceu? Você não pode sair correndo e gritando assim pelos corredores, e ainda mais falando coisas como essa...
-Mas olhe para mim! Como você não vê?!
-Ny, tudo que vejo é você de sempre, porém suja de terra e fedendo a suor...o que você andou aprontando?
-Como assim? Eu estou transformada, e não sei o que aconteceu...a sombra apareceu em um espelho num lugar escuro, e me teletransportei involuntáriamente para cá e quando me olhei no espelho, vi esse monstro que agora sou eu!
-Ahn, que história é essa? Teletransportar? Você usou alguma droga?
-Ai meu Deus, eu falei demais...existe muita coisa que você precisa saber ainda...

Mony nunca tinha citado nenhuma de suas capacidades espetáculares para nenhuma de suas amigas, e agora, precisava abrir o jogo.
Se via horrível, e queria entender por que somente ela se enxergava assim. Para isso precisava de ajuda, e rápido.




Continua no próximo capítulo...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vazio.

Fazia tempo que ela não se via assim.
Fazia tempo que não se sentia assim.
Esse sentimento que não te deixava pra cima,
Que a espancava com um taco de beisebol.
Essa sensação de ardor nas cordas vocais, por querer gritar.
Esse barulho de eco,
Essa visão, que parecia voltar a ter, de si mesmo, como um nada.

Esse conjunto de coisas, que não sabia porque, mas que sugaram uma energia que antes estava tão vívida.
Sua cabeça pesa em cima de seus olhos cansados.
Ela se retorce na cama, se embrulha no cobertor e faz uma prece, quem sabe num sonho bom encontraria a resposta para isso.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

As boas vindas paulistanas.

Um bafo quente de poluição.
O barulho dos carros raivosos no trânsito caótico.
As pessoas sem interesse pela vida por causa da correria.
O táxi que não chega em casa,
O telefone que não para de tocar e eu nem cheguei!
E uma menininha, encantada, brincando com uma florzinha no meio de todo aquele asfalto, ela sim me entendia.

De que será que vale tudo isso se não podem ver, como essa garotinha, a magia daquelas pétalas cor-de-rosa e roxa?
Fiquei surda, fiquei muda, meu pé começou a balançar.
Esquento o leite, coloco o achocolatado. Ele não fica mais gostoso.
Sobra tanta falta nisso tudo.

Vejo em cartaz uma peça no teatro, e meu lado mais idoso, não quer sair para badalar numa sexta. Quer apenas ver um improviso de atores ao vivo.
Será que alguém vê ainda beleza nisso também?

Azarados esses cegos, pois minha visão de caleidoscópio, assim como a peça, só tende a se expandir nessa bagunça que chamo de cidade grande. Tende a achar o encanto nesse asfalto quente.
Pra tentar compensar, essa sobra.

Faz silêncio. Silêncio seco. Nem a música o atrapalha.
Faz um friozinho agradável, e a cama deve estar gelada, sem o que aquecer.
O que fazer, no que pensar! Ah, esse primeiro dia sempre é assim: estranhamente enjoativo.

Quer assistir a uma peça teatral?

Av. Paulista, por T. Quadros.