O primeiro capítulo:
Eu, monstro?!
Mony era uma menina quase mulher, e por estar nessa fase de transição, a descoberta de que era uma super-heroína (como nos desenhos) foi muito mais difícil de ser aceita.
Descobriu poderes como: criação de uma esfera de proteção contra outros vilões, raios azuis contra ataques surpresas, pele elástica e também, poder de se teletransportar, o qual ainda aperfeiçoava.
Era manhã de quarta-feira, estava mais uma vez, atrasada para o primeiro horário e sem que ninguém visse, tentou se teletransportar para faculdade. Porém, como dito anteriormente, esse poder não estava totalmente desenvolvido, logo, a aterissagem de suas viagens normalmente eram em locais próximos e errados do que o que escolhia.
Caiu no chão com força e bateu a cabeça. Abriu os olhos ainda com a visão embaçada, e o pouco que conseguiu enxergar, foi uma sombra vindo em sua direção.
O local cheirava poeira, terra seca, mofo e calor. Não conseguia reconhecer ao menos onde poderia se encontrar (o que de costume conseguia). Existiam vários caixotes empilhados e um espelho no meio deles.
Com o susto da sombra, levantou-se rapidamente e perguntou:
-Quem está aí?-o silêncio permaneceu e apenas barulhos de passos podiam ser ouvidos-Fale logo, eu posso fazer algo contra você sem querer...
A sombra desaparecera, sem nenhuma explicação. Seu coração pulsava rápido, suas mãos suavam frio e mesmo com seus poderes, a paura era tanta, que impedia de realizar qualquer movimento.
Andou em direção ao espelho, pois era de onde vinha o pouco da luz do local, e ao olhar nítidamente viu o que se escondia na sombra, uma versão sua, porém borrada. Inocentemente, tentou limpar o espelho e nesse movimento, foi agarrada por uma mão asquerosa que saira de dentro dele. Tentou se soltar, e todo e qualquer esforço foi em vão.
O borrão de sua forma riu alto e disse: -Ei Mony, a muito tempo esperava por esse encontro...é mais fácil desistir antes de seu pulso machuque mais e você não terá pra quem gritar.
Mony, em um ato de desespero, com a outra mão tentou quebrar o espelho, e nesse soco, o espelho apenas brilhava como um espectro. Começou a gritar: -Quem é você?! O que quer?
O vulto, mediu cada milímetro de seu corpo e sem hesitar sussurou: - Você!
Já nesse ato, uma nuvem negra a cobriu e com o gás que parecia tóxico, desmaiou.
Horas depois acordou no banheiro de sua faculdade, sentada em um dos boxes. Mony ficou confusa com toda aquela situação a acreditava até na possibilidade de tudo aquilo fosse um pesadelo e que acabará de acordar e felizmente, conseguirá se teletranportar para o lugar certo.
Se arrumou e levantou o pulso para ver o horário em seu relógio quando viu as marcas de dedos compridos e arranhões. Aquilo não foi um sonho.
Ao sair do box, olhou-se de longe no espelho e não se reconheceu. A imagem era grotesca, e de si mesma, só que dessa vez imitava cada movimento seu, e não falava. Não era a imagem que antes tinha visto, era mesmo de si própria, sem borrões, apenas deformações.
Jogou a mochila contra o espelho, que dessa vez, se partiu em mil pedaços e correndo, foi em direção a sua sala.
No caminho, aos prantos, encontrou Livea, sua colega de sala: -Livea! O que está acontecendo com a minha cara? Com meu corpo? Eu me transformei da noite para o dia! Estou horrível, desfigurada!
Ao ver o desespero da amiga, Livea a pegou pelo braço e levou em uma sala vazia: - Amiga, você enlouqueceu? Você não pode sair correndo e gritando assim pelos corredores, e ainda mais falando coisas como essa...
-Mas olhe para mim! Como você não vê?!
-Ny, tudo que vejo é você de sempre, porém suja de terra e fedendo a suor...o que você andou aprontando?
-Como assim? Eu estou transformada, e não sei o que aconteceu...a sombra apareceu em um espelho num lugar escuro, e me teletransportei involuntáriamente para cá e quando me olhei no espelho, vi esse monstro que agora sou eu!
-Ahn, que história é essa? Teletransportar? Você usou alguma droga?
-Ai meu Deus, eu falei demais...existe muita coisa que você precisa saber ainda...
Mony nunca tinha citado nenhuma de suas capacidades espetáculares para nenhuma de suas amigas, e agora, precisava abrir o jogo.
Se via horrível, e queria entender por que somente ela se enxergava assim. Para isso precisava de ajuda, e rápido.
Continua no próximo capítulo...
