O barulho dos carros raivosos no trânsito caótico.
As pessoas sem interesse pela vida por causa da correria.
O táxi que não chega em casa,
O telefone que não para de tocar e eu nem cheguei!
E uma menininha, encantada, brincando com uma florzinha no meio de todo aquele asfalto, ela sim me entendia.
De que será que vale tudo isso se não podem ver, como essa garotinha, a magia daquelas pétalas cor-de-rosa e roxa?
Fiquei surda, fiquei muda, meu pé começou a balançar.
Esquento o leite, coloco o achocolatado. Ele não fica mais gostoso.
Sobra tanta falta nisso tudo.
Vejo em cartaz uma peça no teatro, e meu lado mais idoso, não quer sair para badalar numa sexta. Quer apenas ver um improviso de atores ao vivo.
Será que alguém vê ainda beleza nisso também?
Azarados esses cegos, pois minha visão de caleidoscópio, assim como a peça, só tende a se expandir nessa bagunça que chamo de cidade grande. Tende a achar o encanto nesse asfalto quente.
Pra tentar compensar, essa sobra.
Faz silêncio. Silêncio seco. Nem a música o atrapalha.
Faz um friozinho agradável, e a cama deve estar gelada, sem o que aquecer.
O que fazer, no que pensar! Ah, esse primeiro dia sempre é assim: estranhamente enjoativo.
Quer assistir a uma peça teatral?
Av. Paulista, por T. Quadros.
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