domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fechando um ciclo.

O clima muda, e percebo, em dias como hoje, que muda por algum significado.

Não muda apenas por São Pedro, ou Deus, ou a mulher do tempo no jornal (ou seja quem você acredite que mande nas condições meteorológicas) querem e dizem que vai mudar. Na minha vida, dias como esse tem sido recorrentes em dias de mudanças significativas, digo, na vida.
Aquele dia 25, as 16:10 hrs, o mundo caia em água por Terra. E hoje, não foi diferente.

Após morar minha vida inteira no lugar em que chamava de "meu cafofo", um lugar onde vivi inúmeras alegrias e tudo que me formou na pessoa que sou, tenho que partir. Deixar para atrás velhas histórias, antigas lembranças e costumes...
E se é fácil, bem, não sei. 
Sinto um enjôo característico de dias como esse, sinto um certo vazio e também um alívio. Se bem que o dia acaba de começar pra mim, e muito ainda está por vir. Ver a sala chamada de "Jardim de Deus", tão vazia quanto quando invadia com minhas amigas pequenas o local que iria morar para brincar de esconde-esconde com medo de alguma alma penada, hoje não resta medo, apenas saudade.
O quarto cor-de-rosa bebê, recém terminado de como um dia sonhei que ele ficaria, a cama em que deitei tantas noite, e passei em claro conversando, a varanda em que observava todas as torres da Avenida Paulista  queimando em fogos no ano-novo e também em meus momentos sozinha...tantas coisas como essas que me fazem pensar sobre o que será o ínicio e todo o resto desse novo ciclo que se inicia, oficialmente, hoje.

Dói um tanto. Uma dor certeira. Porém, repleta de tanta esperança do que o nascimento de um bebê.
Renascendo das cinzas como uma fênix, o mais importante agora, é voar o mais alto que conseguir, para respirar um ar tão puro que não me sufoque e que me purifique, assim como a chuva que tomei na varanda.

Lembre-se das chuvas, das tempestades de ventos, águas e gelos e repare se assim como na minha vida, na de vocês pode ser igual. Se são declaradoras de passagens e de renovação, de inícios de novos ciclos, como na minha...
Assim como o fogo, nada que passa pela água continua o mesmo após ser molhado.


O ciclo se fecha, e um se inicia, agora...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Saudade.

Um pequeno poema de meu mentor, pai e ídolo.

"Saudade que sinto em minh'alma vazia,
Saudade de um tempo, que o tempo levou,
Saudade de quando sentir eu podia
Saudade de alguém que algum tempo me amou."

Cerdônio Dias de Quadros (1955)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Família, a gente escolhe...

Andando de um lado pro outro, sem saber o que fazer.
Fazer o que? Fazer por quem? Chamar a quem? Chorar por quem, ou por que?
Procurando novos ares, novas coisas
Tentando acertar novas gavetas no tico-e-teco.
Fazendo queima de arquivo de tudo que não prestava, descobrindo um novo mundo.
Repleto de coisas boas e novas. De sensações indescritíveis que poucos podem conhecer
E que felizmente, fui presenteada dessa oportunidade.

Naquele casa tão aconchegante no meio da rua ensolarada, que acolheram a pequena que chegou de gaiato, precisando e querendo dar apenas uma coisa: amor.
Abrindo o portão, sinto cheiro de paz, de conforto e de amizade. Sinto família.
Tão pura. De intenções tão belas que sou incapaz de descrever. Cheios de abraços para a nova menina que acolheram e realizaram bençãos de conforto e serenidade.

E quando me dei por conta, tinha ganhado num novo aconchego, um novo lar, uma nova família...a quem meu coração guarda saudades para um retorno cheio de alegrias e boas vindas tão esperadas que fazem meu coração palpitar... um lar do amor incondicional.

Tanta saudade...

Seria bondosa se dissesse que choveu naquela hora, na realidade o mundo caia na cinza cidade de São Paulo, que mais cinza ainda se tornou após a passagem de quem, décadas atrás, chegava apenas com a cara e a coragem para iniciar um novo ciclo em sua vida. E foi no mesmo dia, que esse ciclo se encerrou.
É impossível dizer que foi apenas uma coincidência. Não, ele não faria isso, seria desordem demais pra sua cabeça tão planejada. Foi certo, no mesmo dia que chegou, era o dia de partir.
E assim, logo após um vendaval que me dei conta que chegará sua hora. Hora dolorida, hora de um desespero tremendo...perdia em Terra quem é dono de todo o meu amor, aquele que em sua imagem e semelhança, me abençoava em cada olhar, e agora, me abençoa em cada vento frio que me faz ficar arrepiada.
As coisas perderam um pouco de sua cor. Seu cheiro e seu calor ainda são presentes ao entrar em seu quarto, e sem querer, a esperança de que um dia ele voltará de mais uma de suas viagens longas e demoradas de saudade  vem a tona. Corro para esperá-lo na porta, para mais um abraço de tudo bem, mas é em vão...

Um até logo repleto de uma dor que não passa. Que não ameniza. Repleto de saudades de suas risadas altas, de suas conversas de longas horas. De seu boa noite certeiro para nunca dormimos brigados. De suas cartinhas em baixo da porta, e bom dias com abraços quentes para não me resfriar.
Os doces não tem mais doce, as noites são frias e vazias, e a vontade de voltar pra casa me falta. A vontade de fugir só aumenta, pra ver se o acho em alguma casinha perdida na montanha, escrevendo um livro sobre todas suas peripécias.
As letras não formam mais lindos textos antes aqui publicados, só para te encher de orgulho quando visse que segui sua obra...
Minha inspiração anda em falta. Assim como você aqui do meu lado... Chegou a hora de recomeçar, mas nada ficou no lugar.

nas asas de um anjo, vou enviar todo o meu amor por você...