Vou te ser sincera, na realidade, nunca liguei muito pra ele. Sempre na estante era apenas mais uma peça em meio de tantos outros livros. Mas dessa vez foi diferente. Eu o abri e apenas fechei os olhos e o ouvi e tateei, como se você estivesse contando tudo que já sabia pra mim.
E você vê como as coisas são, ele foi encontrado na hora certa. Como se você o tivesse me guiado até ele, para me contar mais uma vez uma história para eu ninar tranqüila. E entendi o por quê do presente, não tão inusitado mas tão bem escolhido.
Fico aqui pensando o quanto você me conhecia, e como era grande nossa semelhança. Acho que nunca soubemos amar, e com isso nos machucamos demais, até com o nosso próprio amor.
Sempre amamos mais os outros que a nós mesmos, e hoje estamos aprendendo a amar mais a nós mesmos, a depender de nós mesmos...o que pra nós, parece uma missão impossível, não é? Para evitar que quebrem nosso pequeno e mole, como gelatina, coração...mas não fazemos isso, apenas tentamos.
Ele guarda marca de tantas coisas não é? E acho que assim ele ficou mais bonito, com as cicatrizes de um amar intenso. Um pelo outro.
Cada lágrima que ele me faz escorrer hoje, sei ser melhor. Sei aprender com essas, sei com o que chorar. Apesar de sentir as vezes muito mais. E nosso chorar, sempre muito sincero, jamais para algum tipo de chantagem emocional. Para tirar benefício de outros com essas pequenas gotas de muita emoção que guardamos. E como sofremos as vezes de que vem a tona, e temos que olhar pra cima e engoli-las, o que causa o desconforto na garganta como se fosse explodir.
Eu confesso, nunca soube amar direito como amam as pessoas que andam na rua. Sempre quis amar como no cinema, e hoje quando amo de verdade, vejo que o amor não é tão doce quanto nos filmes, não é?
Mas acho que nunca aprenderei amar, assim como você nunca soube e não vejo maiores problemas nisso, quando for sincero.
Derramaremos mares de lágrimas, tanto de alegrias como de tristezas, e como sempre, pesaremos na balança por qual choramos mais, e assim descobriremos o que é bom pra nós...ou não. Ou apenas tentaremos mudar ou aceitar, ou encontrar uma maneira de poder amar. E amar de todo coração.
Sabe, aquele frio na barriga que você me contava? Pois é, ele é de verdade agora, e queria te contar mais, mais sobre o que descubro com o amor a cada dia, e o quanto me deixa triste ver quem não quer. Quem tem medo, quem tem dificuldade de amar.
Amo muito, sorrio muito mais.
Por mais que as vezes não seja correspondido o nosso amor, quero ter a certeza um dia de que amo e amei com todas as forças, e que foram essas forças cedidas que me trouxeram as necessárias para viver. Quero sentir o amor entrando na minha pele, quero o amor me deixando marcas de felicidade. Quero o amor me puxando para toda a sua plenitude, onde me encontrarei sendo ao invés de só, ser nós.
Como eu sempre disse: eu quero viver de amor, quero morrer amando.
a menina da perna vermelha...