quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sobre saber amar...

Passeando entre muitas vidas, histórias, sentimentos pelas pequenas vielas da minha humilde biblioteca pessoal, me deparei com um conhecido presente que ganhei a muito tempo...aquele livro de capa singela, sem muitos frufrus e com apenas uma simple frase: 'Saber amar...' que você me deu, com todo o amor e sobre o amor.

Vou te ser sincera, na realidade, nunca liguei muito pra ele. Sempre na estante era apenas mais uma peça em meio de tantos outros livros. Mas dessa vez foi diferente. Eu o abri e apenas fechei os olhos e o ouvi e tateei, como se você estivesse contando tudo que já sabia pra mim.

E você vê como as coisas são, ele foi encontrado na hora certa. Como se você o tivesse me guiado até ele, para me contar mais uma vez uma história para eu ninar tranqüila. E entendi o por quê do presente, não tão inusitado mas tão bem escolhido.

Fico aqui pensando o quanto você me conhecia, e como era grande nossa semelhança. Acho que nunca soubemos amar, e com isso nos machucamos demais, até com o nosso próprio amor.
Sempre amamos mais os outros que a nós mesmos, e hoje estamos aprendendo a amar mais a nós mesmos, a depender de nós mesmos...o que pra nós, parece uma missão impossível, não é? Para evitar que quebrem nosso pequeno e mole, como gelatina, coração...mas não fazemos isso, apenas tentamos.

Ele guarda marca de tantas coisas não é? E acho que assim ele ficou mais bonito, com as cicatrizes de um amar intenso. Um pelo outro.
Cada lágrima que ele me faz escorrer hoje, sei ser melhor. Sei aprender com essas, sei com o que chorar. Apesar de sentir as vezes muito mais. E nosso chorar, sempre muito sincero, jamais para algum tipo de chantagem emocional. Para tirar benefício de outros com essas pequenas gotas de muita emoção que guardamos. E como sofremos as vezes de que vem a tona, e temos que olhar pra cima e engoli-las, o que causa o desconforto na garganta como se fosse explodir.

Eu confesso, nunca soube amar direito como amam as pessoas que andam na rua. Sempre quis amar como no cinema, e hoje quando amo de verdade, vejo que o amor não é tão doce quanto nos filmes, não é?
Mas acho que nunca aprenderei amar, assim como você nunca soube e não vejo maiores problemas nisso, quando for sincero.

Derramaremos mares de lágrimas, tanto de alegrias como de tristezas, e como sempre, pesaremos na balança  por qual choramos mais, e assim descobriremos o que é bom pra nós...ou não. Ou apenas tentaremos mudar ou aceitar, ou encontrar uma maneira de poder amar. E amar de todo coração.

Sabe, aquele frio na barriga que você me contava? Pois é, ele é de verdade agora, e queria te contar mais, mais sobre o que descubro com o amor a cada dia, e o quanto me deixa triste ver quem não quer. Quem tem medo, quem tem dificuldade de amar.

Amo muito, sorrio muito mais.
Por mais que as vezes não seja correspondido o nosso amor, quero ter a certeza um dia de que amo e amei com todas as forças, e que foram essas forças cedidas que me trouxeram as necessárias para viver. Quero sentir o amor entrando na minha pele, quero o amor me deixando marcas de felicidade. Quero o amor me puxando para toda a sua plenitude, onde me encontrarei sendo ao invés de só, ser nós.

Como eu sempre disse: eu quero viver de amor, quero morrer amando.


a menina da perna vermelha...

As caixas onde mora o bicho-papão.

Mutação, transição, transmissão de uma vida inteira. Nas voltas que o mundo dá...

Tenho aprendido muito, com coisas que jamais imaginei absorver algum conhecimento dessas mesmas. Que apenas pareciam objetos e que hoje, guardam valores imensuráveis. 
Uma delas tem mais espaço na minha casa do que eu mesma, e que já briguei e quis mandá-las embora por impaciência com as coitadinhas. São elas: caixas.

Um monte delas! Espalhadas por todos os cômodos, com muitas coisas, aguardando para serem abertas.
Muitas delas, admito ainda ter medo de seu conteúdo, e por isso, ainda fazem parte da decoração underground, outras que não tive coragem, pedi para que outros abrissem e retirassem apenas o necessário. Algumas parecem ter cobras e animais peçonhentos de tanto receio que tenho de abrir.

São muitas lembranças, memórias que ainda estão fresquinhas na minha mente e que ao retocá-las e vê-las fixamente na minha frente, agora, como realidade, acho que seria chave para o desencadeamento de muitas outras que aos poucos se adormecem no meu coração, agora, sereno. E que penso não ter necessidade de acordá-las de um sono tão bom, e que mais vivas e divinas estão em meus pensamentos...

Acho que continuarei com a decoração de papelão, até que ventos novos e calmaria pousem dentro de mim.