quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sobre morar junto.

Morar junto. Morar apenas dois. Morar no mesmo teto. Dividir a mesma cama.

É, o sonho de qualquer casal de namorados. estar junto 24 horas, sentindo um ao outro, trocando beijos eternos e abraços calorosos, com juras de amor ao dormir e café na cama ao acordar, sexo toda hora, risadas a todo momento e o brilho eterno nos olhares apaixonados.

PERAÍ!
Agora vamos ser realistas sobre o que REALMENTE é morar no mesmo cubo, pois agora acabei de descrever um filme de romance.
A convivencia é complicado, não é o mesma coisa que conviver com seus pais, irmãos ou amigos, que você sabe, que independente de tudo são 'obrigados' e não podem 'terminar' com esse relacionamento. É bem diferente.
Conviver é tentar compreender cada pedaço do outro e juntá-los com os seus pedaços tentando encaixar quais peças tem o mesmo formato. As vezes achamos várias iguais, que formam apenas o contorno do desenho, agora, quando a imagem começa a tomar forma, as peças vão multiplicando de número, e agora não basta apenas ter lados lisos para saber que é a borda. Todas as peças são diferentes, e é preciso encaixá-las de maneira harmoniosa para que no fim, enfim, forme-se uma imagem.

Estar 24 horas juntos, é uma missão pra poucos, afinal, todos queremos nosso próprio espaço. Seja para respirar, passar horas sem fazer nada em frente ao computador, trocar todos os canais da TV e ainda escolher o de vendas para 'passar-o-tempo'. Ou ir ao banheiro e ficar horas fazendo caretas na frente do espelho, ou soltar pum na hora de dormir sozinho.
A dois, as coisas mudam, e MUITO.

Você sabe que existe alguém do seu lado. E esse alguém, vai notar seus atos. Você se torna mais vigilante o que significa mais tensão na hora de realizar algo, e tomar cuidado para que saia perfeita.
Até o tempo de ir ao banheiro é cronometrado mentalmente para não ficar horas debaixo do chuveiro, afinal, existe outra pessoa que pode querer usar o banheiro na mesma hora.

Com isso, nasce uma nova fase do relacionamento que é a tão querida, e por alguns temida: intimidade.
Como diz o ditado 'Dê dinheiro, não dê intimidade' e é exatamente isso. De tão próximo, acaba sendo engraçado, pois você começa a descobrir o que é o verdadeiro outro quando está sozinho. Se ele canta ou não no banheiro, ou se arrota depois do banho. Se você tem chulé depois de andar um dia todo, ou deixa sua roupa intima pendurada no banheiro.

Todo o tempo junto não é mais tão interessante pois falta saudade de querer estar perto, afinal, está ali o tempo todo. Os beijos se tornam menos frequentes, e você começa a reparar que as mãos não andam juntas na rua. Vocês não assistem filme abraçadinhos e não é porque deitaram lado-a-lado que farão sexo. Ocorre mais silêncio, as conversas são mais corriqueiras. Os defeitos aparecem e incomodam. Uns se tornam reclamões outros se tornam caladões.
Você começa a pensar que tudo está acabado. E na realidade, é só o começo.

As últimas coisas que citei, pode fazer parecer um desastre em morar junto. O que definitivamente não é.
É um aprendizado continuo. É a construção de não só um casal de namorados mas sim de cúmplices, de amigos, ainda mais quando ninguém ao seu redor é conhecido. Duas pessoas unidos em todas as reações, as emoções causadas por aspectos vindos de todos os cantos. Com fatores como humor. O que pode fazer um dia vir a baixo, e as lágrimas a tona ou também, um dia belo onde o Sol parece brilhar mais, onde se juntam mais energias para continuar nessa jornada trabalhosa.

As vantagens? Elas são as mais fascinantes e diferentes. A paixão passou e agora o que resta é o amor e a amizade. É sorrir ao chegar em casa e saber que não está sozinho. Mesmo que o silêncio seja infindo. Ter a quem contar seu dia, suas emoções e anseios. Apoiar a cabeça no ombro quando se senta no sofá e  ter o jantar como um ritual para ficar juntos sem nada para interferir.
É poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir com tranquilidade, pois ele está do seu lado se algo acontecer. Ter a quem dizer bom-dia e boa noite. Com quem tirar mil fotos de caretas só por causa do tédio. Ter a quem chamar para assistir um filme e ganhar um colo de brinde. Ouvir alguém cantando no chuveiro milhares de canções sem conexão.

Você começa a dar valor nos pequenos detalhes, pois os que pareciam encantadores agora são usuais. Então surgem novos encantos para serem descobertos. Novos olhares para ser entendidos, e uma sincronia de sonhos e pensamentos incríveis. Saber que um arroto significa 'comi muito bem' e não apenas um gesto mal-educado. E que um beijo, seja na boca ou na bochecha, faz com que seus olhos brilhem de emoção. Que aquela pessoa babando dormindo, faz com que você pare tudo só para dar uma espiadinha no seu suspiro ao dormir. Pegar na mão no cinema, e receber carinho na cabeça. Tomar uma bronca com um gesto facial, e fazer as pazes numa piada.

Morar junto é trabalhoso. É delicioso,
É saber olhar o outro com real olhos e saber mudar e aceitar costumes.
É gostar. É fazer do outro, sua família para confortar a distância.

Morar junto é dividir o cobertor pequeno brigado e sentir-se abençoado ao encontrar o pé do amado no meio de um emaranhado de pernas roçando no seu. E pensar, o que seria de mim sem teu pé junto ao meu.

com quem eu encontro meu pé na madrugada...

Um comentário:

  1. A mais pura verdade!!! Mas no final das contas é que cada um de nós queremos no final das contas!!

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