segunda-feira, 17 de maio de 2010

Indagação da minha loucura, seus porquês, e mais porquês...

Descubro agora, do nada, e sem nenhum pré-cursor pra isso, que sou louca. Completamente louca.
Sempre me disseram, nunca acreditei. Quando parei pra pensar, é a mais pura realidade.
Não uma louca como no dicionário, ou até no modo que as pessoas classificam 'loucura'. Uma louca com a minha própria loucura, loucura essa que só eu possuo.
E como escrever sobre loucura? E ainda mais sendo, nesse caso, a autora a própria louca. É mais louco ainda! Me sinto mais insana que o Chapeleiro Maluco*, perguntando, a famosa questão sem solução: qual a semelhança entre o corvo e uma escrivaninha? Nem ele, nem Lewis Carroll sabiam a resposta. Ou sabiam, e morreram com ela. Mas, o chapeleiro morreu? Não, não, a pergunta correta seria: se o autor é o criador do personagem, como o personagem poderia saber da resposta e o autor não?
Mas a resposta dessa pergunta não é o foco principal desse texto, quem sabe de um futuro...Quero falar da mais sórdida insanidade, causada pela única certeza que temos na vida: a dúvida. E não venha me dizer que temos outras pois não temos. A morte não é certeza. Como sei que vou morrer? Do modo que andam as coisas até disso passei duvidar, sem contar as outras milhões de coisas que antes pareciam tão certas e se tornaram dúvidas.
"-Será que eu sou louca?
-Você é louquinha, mas vou te contar um segredo, as melhores são"!
Novamente o Chapeleiro aparece!
Não só eu, como uma pancada de malucos (e aí sim) como eu, pensam desse modo. O filósofo mundialmente conhecido, Descartes, é um desses. Para os desinformados, ele estabeleceu a dúvida como método para provar verdades absolutas, imprescindíveis e de reconhecimento universal, tal como exige na questão da 'possibilidade' de conhecimento.
Outro que também pensou assim é ninguém menos que Fernando Pessoa: "Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro", e também quando citou "Duvido, logo penso".
Até eles pensaram assim! Logo, não falo isso do nada, e porque sou surtada, tenho sim meus precursores. Alguns da minha própria imaginação, outros não tão famosos e uns que são uns pé-rapados mesmo, que se você esbarrasse na rua não lhe chamaria a atenção, seria apenas mais alguns na multidão, e que pra mim fazem uma diferença enorme.
ÉPOCHE, é um conceito-chave da fenomenologia contemporânea que se trata do repouso mental pelo qual nada afirmamos e nada negamos, assim exploramos o quanto não sabemos para atingir impertubalidade. Até um termo para isso existe!

O mais estranho é gostar dessa certeza duvidosa. Não só gostar, mas me fascinar por ela. Não sei se é pelo frio na barriga por não saber o que vai acontecer, ou se é porque gosto de não ter certeza do futuro e assim poder torcer, sonhar e talvez mudá-lo. Devem existir muitos porques para o por quê de eu gostar disso, mas acho que nunca vou descobrir a raiz disso, e por enquanto só vou curtir esse meu fascínio.

Viu, é isso! Quantos 'mas' eu já coloquei nessas poucas linhas que escrevi?! É isso! A resposta da insanidade está no não saber, é a possibilidade de muitas respostas com perguntas que nunca chegaram ao fim. Logo, abrangendo um mundo muito maior de possibilidades, o que torna muito mais legal de se viver.
Tá, vou admitir, eu não acho que essa seja a resposta toda. Parte dela, mas não toda. Ainda tenho muito que descobrir sobre, e quem sabe um dia não descubro a resposta.
Mas se descobrir o por quê, não serei mais louca pois saberei o que é minha insanidade e isso seria tão chato... Deve ser estranho ser normal, sabe um dia eu não provo como é ser assim, 'regular'. Mas só por um dia.

Tentar descobrir essa resposta da loucura, essa é uma missão que deixo para os normais, diferentes de mim...

a Louca.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Meu presente.

Não veio numa caixinha, muito menos com lacinhos e frufrus em cima. Não era estático, nem pequenininho, logo, não poderia colocá-lo na estante. É quente e frio ao mesmo tempo. Tem sabor, tem cores, tem cheiro. Transmite uma boa energia, proporciona carinho e conforto. Ri como criança, conversa com virtudes, encanta com o seu brilho, e o melhor de tudo, tem vida!
Apareceu do nada, me deu um susto, e me fez tremer. Me faz sorrir só de lembrar, e fez sentir-me completa e querida nesse final de semana tão importante.
Eu tinha a sensação que brilhava como o sol e que estava tão leve quanto uma pena. Que cada sorriso, era como uma garotinha de 3 anos impressionada com o mundo novo que acabará de perceber. Foi como num filme da Disney, que de tanto se desejar, meu sonho, se tornou realidade.
Acho que estou aqui tentando descrever a sensação daquele, deste, de todos os momentos que estou com ele, e acho que não vou conseguir nem chegar no começo dessa descrição.

Esse presente não foi só no dia do meu aniversário, ganhei faz um tempinho e nem imaginava que um dia pudesse ser tão importante. Desse mesmo presente ganho tantos outros que ele me dá e só eu mesma posso guardar. Sua companhia, seu sorriso, seu abraço, seu beijo, seu jeito de falar comigo, sua paciência são pecinhas acopladas nesse presente.
Ter que devolvê-lo e sentir saudades, são condições pré-descritas no seu manual. Essas daí, me perturbam um pouquinho, mas são superadas ao vê-lo de novo.

Se dar de presente é o gesto mais nobre e de tamanha consideração que não tenho nem palavras para conseguir agradecer, mas que, com certeza, posso e quero retribuir com o mesmo.

PS: E mesmo que pra mim não valha nem o um poquinho do quanto que gostaria de agradecer, quero dizer: muito obrigada.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O notar do antes, despercebido.

Olhei para o lado, e logo vi-a. Era estranho, era sem sentido, não me despertou nada de primeira. Ao voltar observá-la novamente, me fez algum sentido, e assim me chamou a atenção.
Era ela, uma folha. No meio do tapete do corredor do meu apartamento, no vigésimo andar, numa cidade de cimento, São Paulo, por isso sua aparição foi tão estranha.
Não sei como chegou, como foi parar ali, nem a quanto tempo estava apenas ali, jogada, sem nenhuma outra ao seu lado. Ao chegar perto e ao tocá-la, um flashback de sua origem, a qual havia devorado segundos atrás, e agora estava dentro de mim.
Essa singularidade me prendeu. De uma forma inexplicável. E de tão instigante, me mostrou o por quê daquilo.

Pequenas coisas surgem pra lembrar outras. Essas outras que tem uma dimensão muito maior do que, nesse caso, essa pequena folha.
Essa lembrança, na realidade, é um fato, pois não foi esquecido, e está vívido em minha mente, as vezes um pouco perturbada, em cada segundo do meu dia.
Traz paz, alegria, conforto.
É um artigo no meu museu de novidades. É saudade, é dúvida.

Nessa dúvida, uma certeza: em mim, algo semeou.
Fez crescer, e na primavera, florecer. E quase no apse de sua primavera, um temporal chegou, impedindo-a de amadurecer, e sem mais recursos, adoeceu. Perdeu sua cor, murchou, se despedaçou. Mas, sua base, firme permaneceu e resistiu. Tirando de cada dia nublado, a esperança do raiar solar. E sem muita demora, ele voltou a brilhar. Fortalecendo-a e fazendo brotar novos botões, com pétalas finas e aveludadas, guardando seu perfume para seu desabrochar, que não deve demorar.

sábado, 1 de maio de 2010

Milagres

O que é 'milagre' pra você? Algo realizado que parecia ser impossível, ou algo tão desejado que ao se tornar realidade é um? Existem milhares de definições, e cada uma delas, é a mais pessoal possível.
Uma delas, é a minha, e que aprendi a ver a pouco tempo. São os mais sutis, os menos notados. Como um simples desabrochar de uma flor, ou o bater de asas de uma borboleta. A água caindo de uma cachoeira, o barulho que as ondas fazem, o nascer e o pôr do sol. O nascer de uma criança, o poder do amor, o valor imenso de um abraço que vale mais que palavras, a sincronia entre pessoas. O sorriso, o suspirar, o desejar, o querer bem, a compaixão. O milagre da vida.
Milagres tão belos quanto os mais notavéis, e esses pequenos, normalmente, passavam em branco, como se fosse cotidiano, sem o mínimo de esmero.
Aprender a notá-los, é outro milagre. Saber dar o valor que eles merecem, engrandece. E quando perceber, notará a beleza que a vida tem diante dos seus olhos nos mais sutis detalhes.