Sempre me disseram, nunca acreditei. Quando parei pra pensar, é a mais pura realidade.
Não uma louca como no dicionário, ou até no modo que as pessoas classificam 'loucura'. Uma louca com a minha própria loucura, loucura essa que só eu possuo.
E como escrever sobre loucura? E ainda mais sendo, nesse caso, a autora a própria louca. É mais louco ainda! Me sinto mais insana que o Chapeleiro Maluco*, perguntando, a famosa questão sem solução: qual a semelhança entre o corvo e uma escrivaninha? Nem ele, nem Lewis Carroll sabiam a resposta. Ou sabiam, e morreram com ela. Mas, o chapeleiro morreu? Não, não, a pergunta correta seria: se o autor é o criador do personagem, como o personagem poderia saber da resposta e o autor não?
Mas a resposta dessa pergunta não é o foco principal desse texto, quem sabe de um futuro...Quero falar da mais sórdida insanidade, causada pela única certeza que temos na vida: a dúvida. E não venha me dizer que temos outras pois não temos. A morte não é certeza. Como sei que vou morrer? Do modo que andam as coisas até disso passei duvidar, sem contar as outras milhões de coisas que antes pareciam tão certas e se tornaram dúvidas.
"-Será que eu sou louca?
-Você é louquinha, mas vou te contar um segredo, as melhores são"!
Novamente o Chapeleiro aparece!
"-Será que eu sou louca?
-Você é louquinha, mas vou te contar um segredo, as melhores são"!
Novamente o Chapeleiro aparece!
Não só eu, como uma pancada de malucos (e aí sim) como eu, pensam desse modo. O filósofo mundialmente conhecido, Descartes, é um desses. Para os desinformados, ele estabeleceu a dúvida como método para provar verdades absolutas, imprescindíveis e de reconhecimento universal, tal como exige na questão da 'possibilidade' de conhecimento.
Outro que também pensou assim é ninguém menos que Fernando Pessoa: "Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro", e também quando citou "Duvido, logo penso".
Outro que também pensou assim é ninguém menos que Fernando Pessoa: "Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro", e também quando citou "Duvido, logo penso".
Até eles pensaram assim! Logo, não falo isso do nada, e porque sou surtada, tenho sim meus precursores. Alguns da minha própria imaginação, outros não tão famosos e uns que são uns pé-rapados mesmo, que se você esbarrasse na rua não lhe chamaria a atenção, seria apenas mais alguns na multidão, e que pra mim fazem uma diferença enorme.
ÉPOCHE, é um conceito-chave da fenomenologia contemporânea que se trata do repouso mental pelo qual nada afirmamos e nada negamos, assim exploramos o quanto não sabemos para atingir impertubalidade. Até um termo para isso existe!
ÉPOCHE, é um conceito-chave da fenomenologia contemporânea que se trata do repouso mental pelo qual nada afirmamos e nada negamos, assim exploramos o quanto não sabemos para atingir impertubalidade. Até um termo para isso existe!
O mais estranho é gostar dessa certeza duvidosa. Não só gostar, mas me fascinar por ela. Não sei se é pelo frio na barriga por não saber o que vai acontecer, ou se é porque gosto de não ter certeza do futuro e assim poder torcer, sonhar e talvez mudá-lo. Devem existir muitos porques para o por quê de eu gostar disso, mas acho que nunca vou descobrir a raiz disso, e por enquanto só vou curtir esse meu fascínio.
Viu, é isso! Quantos 'mas' eu já coloquei nessas poucas linhas que escrevi?! É isso! A resposta da insanidade está no não saber, é a possibilidade de muitas respostas com perguntas que nunca chegaram ao fim. Logo, abrangendo um mundo muito maior de possibilidades, o que torna muito mais legal de se viver.
Tá, vou admitir, eu não acho que essa seja a resposta toda. Parte dela, mas não toda. Ainda tenho muito que descobrir sobre, e quem sabe um dia não descubro a resposta.
Mas se descobrir o por quê, não serei mais louca pois saberei o que é minha insanidade e isso seria tão chato... Deve ser estranho ser normal, sabe um dia eu não provo como é ser assim, 'regular'. Mas só por um dia.
