sexta-feira, 7 de maio de 2010

O notar do antes, despercebido.

Olhei para o lado, e logo vi-a. Era estranho, era sem sentido, não me despertou nada de primeira. Ao voltar observá-la novamente, me fez algum sentido, e assim me chamou a atenção.
Era ela, uma folha. No meio do tapete do corredor do meu apartamento, no vigésimo andar, numa cidade de cimento, São Paulo, por isso sua aparição foi tão estranha.
Não sei como chegou, como foi parar ali, nem a quanto tempo estava apenas ali, jogada, sem nenhuma outra ao seu lado. Ao chegar perto e ao tocá-la, um flashback de sua origem, a qual havia devorado segundos atrás, e agora estava dentro de mim.
Essa singularidade me prendeu. De uma forma inexplicável. E de tão instigante, me mostrou o por quê daquilo.

Pequenas coisas surgem pra lembrar outras. Essas outras que tem uma dimensão muito maior do que, nesse caso, essa pequena folha.
Essa lembrança, na realidade, é um fato, pois não foi esquecido, e está vívido em minha mente, as vezes um pouco perturbada, em cada segundo do meu dia.
Traz paz, alegria, conforto.
É um artigo no meu museu de novidades. É saudade, é dúvida.

Nessa dúvida, uma certeza: em mim, algo semeou.
Fez crescer, e na primavera, florecer. E quase no apse de sua primavera, um temporal chegou, impedindo-a de amadurecer, e sem mais recursos, adoeceu. Perdeu sua cor, murchou, se despedaçou. Mas, sua base, firme permaneceu e resistiu. Tirando de cada dia nublado, a esperança do raiar solar. E sem muita demora, ele voltou a brilhar. Fortalecendo-a e fazendo brotar novos botões, com pétalas finas e aveludadas, guardando seu perfume para seu desabrochar, que não deve demorar.

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