
“O famoso ‘jeitinho brasileiro’, a aceitação nacional à quebra de regras, se une, ao culto da malandragem, que, ao contrário do que parece, não é inocente. Reforça a ilegalidade.”
Veja Ed.2136 – 28/10/2009
Quem diria que esse ‘jeitinho’ tão popular não só no Brasil, mas no mundo inteiro, faria tanto mal aos próprios utilizadores dessa ‘filosofia de vida’.
Hoje, uma chamada de uma revista popular na sociedade de classe média e alta, me chamou a atenção pois criticava grande parte do seu público alvo.
Daqui a 7 anos, a capital carioca, sediará uma das maiores confraternizações mundiais de esporte, as Olimpíadas. A cidade maravilhosa, que atualmente, possui esse título por costume, enfrenta desde já o seu maior desafio: acabar com o crime organizado que domina a cidade, prender os criminosos responsáveis e libertar os bairros sob seu comando.
Acontecimentos vistos a poucas semanas atrás, revelam a complexidade de tal missão para que a cidade atinja um nível satisfatório de segurança.
Quase 2/3 das favelas do Rio está nas mãos de facções criminosas que disseminam o terror em toda a cidade. Exemplo disso está em cenas chocantes como a de um corpo em um carrinho de supermercado exposto como uma forma de protesto.
A polícia carioca não executa o seu trabalho, e é considerada a mais corrupta do Brasil. Como disse Capitão Nascimento no filme ‘Tropa de Elite’, um policial tem três opções: ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra. É lamentável confirmar que a opção de maior escolha é a corrupção, e fatos comprovam, como o flagrante de dois policiais que, ao invés de prender os assassinos na cena do crime, apenas recolhem os pertences da vítima, ainda agonizando e que não foi socorrida, e vão embora.
39 mortos, 41 presos, dez ônibus incendiados e um helicóptero metralhado por tiros de fuzis. 20 toneladas de cocaína são vendidas e geram 300 milhões de reais. Seus consumidores patrocinam essa guerra que é comparada com o atentado de 7 de setembro, nos EUA, por tamanha dimensão. Não vêem que sua alegria é a morte de outros, e que cada ‘tiro’ que dão é real.
Somente 1% dos contêineres que passam pelos portos é fiscalizado, atitude ignorante e uma omissão criminosa, pois 60% do tráfico de drogas se dá por via marítima. Números que só crescem a cada dia e faz com que a esperança de uma cidade minimamente segura diminua.
O governador Sérgio Cabral garante que a criminalidade elevada não interferirá na realização dos jogos, pois a mobilização das forças de segurança será muito grande, e que, o real desafio será construir uma segurança de fato, não temporária.
Para isso é necessário enfrentar antigos fantasmas adormecidos, admitir que para o sucesso desse plano é necessário enfrentar os problemas e assumir as responsabilidades.
A pergunta que ronda a imprensa de todo mundo é: será possível a realização de tal evento no Rio? A real questão deveria ser, não somente no Rio mas em todas as áreas afetadas do mundo, a criminalidade terá um fim? Ou a fome pelo poder e dinheiro será maior sempre?!
Nenhum comentário:
Postar um comentário