sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então é natal...

Todos já escreveram e mandaram a muito tempo suas cartinhas pro gordinho de barba branca, e por incrível que pareça, esse ano eu não escrevi a minha e acredito mesmo que, por mais que já sejam 6 horas da tarde da véspera do natal, o gordo pegue minha cartinha colocada com tanto carinho, junto com o Girassol amarelo no jardim, pra facilitar a sua chegada ao Pólo Norte pelos duendes e seus túneis gigantescos. Pensei até em mandar um e-mail, assim fica mais fácil dele ver se estiver conectado, porém, nem o e-mail o cara-de-pau tem a coragem de lançar na internet pra ficar mais fácil. Logo, decidi postar aqui...quem sabe ele não dá uma checadinha se colocar meu nome no Google e nota que falta uma carta.

"Olá gordinho,

É a gordinha aqui, na verdade ex-gordinha, agora. Como sempre, atrasada pra te mandar isso e não facilitar nada a entrega dos meus presentes. Por isso, nem me revolto mais com você se não recebo o que foi pedido naquelas linhas.
Temos que fazer todo o protocolo de sempre, certo? Aquele flashback rápido de como me comportei o ano todo né? Vamos lá...
Sim, acho que fui uma boa garota do meu ponto de vista. Leia de novo: do MEU ponto de vista, o que não significa que pra todos seja igual.
Não fui uma boa aluna na faculdade mas em compensação, falei menos palavrões. Cuidei de mim e de quem amo, mas também fui muito teimosa e ranzinza. Sorri muito, e acho que fiz muitas pessoas sorrirem e isso é o que importa não é? Pra ser uma boa menina?
Acho que estou balanceada entre prós e contras, e acho que não preciso ter um saldo muito grande para os pedidos desse ano. Não vou pedir nada exorbitante, nem que seja impossível. Afinal, esse ano foi regado de presentes do meu verdadeiro papai então cabe a você também dar alguns pra ele, já que sei que ele não vai te escrever...
Já faz alguns anos que não te peço nada, e não sei se sou ainda como as meninas da minha idade com seus pedidos de novos celulares, bolsas de grife, roupas de alta costura, um namorado novo e um cartão de crédito infinito... acho que estou bem feliz com as coisas que já possuo. Meu pedido então é algo bem mais simples do que você pode imaginar. Pode até parecer cumprimento de aniversário, mas não achei nada mais válido pra pedir: amor, saúde e fé.
Sim, esses três que acho mais do que o necessário pra eu conseguir minha felicidade (por isso dela não estar no pacote).
E o segundo presente, acho que não vai ser difícil pois esse época do ano realmente envolve a todos com esse tal de Espírito Natalino (aliás, se o conhecer, fale de toda minha admiração pelo seu trabalho, ele faz uma mudança radical nas pessoas nessa época do ano). Esse presente pode até parecer ter uma pontinha no egocentrismo mas de egoísta ele não tem nada. Gostaria de ganhar sorrisos. Um de cada pessoa que eu olhar  essa noite. Que sejam sorrisos verdadeiros, cheios de boas energias para encher a minha bateria (que aliás, nessa semana véspera da natal, está quase explodindo de tão lotada) afinal, coisas boas nunca são demais.

Desejava te ver também. Quem sabe um dia, tropeçando no fio das luzinhas da árvore que piscam que nem vagalumes iluminando toda a sala, você precisa ver, esse ano fiz um bom trabalho na decoração da árvore... Pra poder realizar meu sonho de criança e ver mesmo se seu abraço é tão acolhedor como dizem.

Bom trabalho, Noel
Com amor, T."


Aos meus leitores, um natal abençoado.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Medo de quê?

-Já sentiu medo?

Se surpreendeu com a pergunta. Afinal aquela hora, com a quantidade de coisas que tinham pra conversar a única pergunta lógica para o momento definitivamente não era essa.

-Com certeza, muitas vezes...quase todo dia pra ser mais exata.
-E que medo sentiu ou sente?
-São inúmeros, dos mais diferentes. Alguns engraçados, outros tão pavorosos quanto o bicho-papão que habitava meu guarda roupa uns anos atrás, uns que são incondicionais e acho que a última categoria, os justos.

-Justos? O que seriam medos justos?

-Aqueles que te esfriam a barriga só de pensar, e que são de fato, não apenas um anseio, mas que você sabe que uma hora ou outra aquilo vai vir a tona e se tornar real. Daí o medo justo. O medo plausível, por assim dizer...

-Todos nós temos esse medo, e colocamos o nome de: medo da morte.
-Deve ser esse o nome que todos dão, mas no meu mundinho chamo de medo justo, fica menos pesado acho...evita essa palavra que por si só já é um medo.

-Mas, seu medo é: da morte em si, sua morte ou da morte dos outros? Qual que é a desse seu medo justo?
-Medo da morte. Morte em si, minha morte, morte de quem eu amo...da morte. É algo forte. É uma força que ninguém pode brecar, ela simplesmente chega e leva...sem pedir permissão, avisar ou mandar um sinal de fumaça.

-É algo natural, todos passaremos por isso...

-Eu sei, só que uns passarão antes de mim, e vou ter que conviver com essa falta, eu é que fico aqui, e não saberei durante quanto tempo demorarei pra vê-los de novo. Sei que não é um adeus pra sempre, e sim, um até logo. Mas não como só esse, como qualquer até logo demorado é dolorido. Deixa marcas, deixa o tum-tum trêmulo, angustiado.

-Seu tum-tum precisa de cuidados sempre...mas não tema, aceite como é. Seria mais fácil pra você, eu penso.

-Eu aceito, mas o medo é inevitável não concorda? Falando assim parece tão frio...

-Sim, com certeza. E eu ainda não entendo o seu medo! Só apenas o medo de perder alguém querido? Isso é normal, e as vezes até pode ser egoísta, mas saudável.

-O ponto não é esse só, sei lá, meu coração aperta com essas coisas... não tenho medo de ir embora, apenas anseio de deixar quem amo. Porém tenho medo de quando eles me deixarem, o que mudará, o que acontecerá... acho que só o tempo irá me dizer.

-Isso mesmo, só ele...afinal, somente ele pode decidir, não está em suas mãos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

No potinho do amor...

Existe um pote, que até dizem ser caixa, de tão grande que é, onde guardo minhas coisas.
Coisas das mais diferentes, das mais brilhantes, das mais engraçadas, das mais amáveis.
Coisas que roubei, ou peguei com permissão e que me fazem melhor quando as vejo ali convivendo em plena harmonia.
Nem sempre tão harmoniosos, mas em paz.

Umas dessas coisas demoraram tanto pra conseguir, finalmente capturá-las.
Já umas outras pediram pra fazer parte daquele mundinho,
E umas que simplesmente, sem eu perceber, pularam pra dentro.

Certas fugiram e não voltaram mais, acho que por não estarem em seu habitat natural e até por não terem o amor necessário para se manter lá.
Exatamente, os alimento com amor. O mesmo que me dão.
Vira e mexe fazem festa, celebram a vida ficam bêbados e pedem cuidados.
E quando bêbados acendem novas estrelas no céu, que também parece regado de champagne e que,
Em cada estrela, contam uma história diferente, que se estivessem sóbrios não mencionariam.
Me deslumbram e mostram uma via láctea somente deles.

Dormem quietinhos, acalentados pelo som do vento, ou por alguma cantiga que lhes canto desafinado, sussurrado.
O por que dessa caixa? Nem eu mesma sei, ela simplesmente apareceu numa conversa de bobeira, na beira de crepúsculo embriagado de amor... e de tanto amor que o embriagará, peguei um pouquinho pra guardar nesse potinho. Pra que quando precisasse apenas o abrisse e colocasse em minha mão, e aí, tudo estaria bem.
É meu kit de primeiros socorros. Onde quem sabe um dia eu não entro e fico.

Mas esse dia demora chegar, esse pote demora encher. Demora pela minha ansiedade, afinal, todos seus membros um dia entraram, cada um em seu tempo, sem que eu precise ter data e hora marcada.
E quando esse dia acontecer, o jogarei no mar, para que possamos flutuar pela imensidão do azul como o céu e sermos capturados por borboletas tão coloridas quanto o arco-íris que nos levarão, flutuando e planando por todos os melhores momentos de nossas vidas...

dentro da minha caixinha...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quesito: beleza.

Definição: Perfeição agradável à vista, e que cativa o espírito.


A população mundial, no geral, tem uma forma de culto a beleza, sendo essa essencial para uma vida possivelmente feliz e realizada. E não me diga que não é, porque nesses meus 18 anos vividos vejo que é quase inexistente uma pessoa no mundo nunca se pegou em frente a um espelho examinando cuidadosamente cada detalhe de seu rosto e corpo, pensando em que modificações poderiam ser feitas para o alcance de um corpo 'perfeito'.
Milhares de cremes, pílulas da juventude, tratamentos, cirurgias voltadas para a área de estética são lançados a cada ano com diversos pretextos, seja eles para reduzir as gordurinhas localizadas onde não deviam ser localizadas como um novo creme que promete te devolver sua aparência do auge dos seus 18 anos quando você já tem 45 em 15 dias.
Por diversos motivos a população busca por essa tão aclamada e requisitada beleza física. Porém um ato as vezes de extrema vaidade, pode ser também de grande necessidade para um bem-estar pessoal. 
Cirurgias plásticas amenizam defeitos que as vezes impedem que a pessoa tenha uma realização pessoal com seu espelho. Fazem pessoas chorarem ao verem um resultado tão esperado depois de anos de zombaria de sua aparência 'cheinha' ou 'de narigudo da sala', lágrimas não mais de tristeza mas sim de satisfação.
Mesmo que em sua maioria dolorosos e mais caros, tratamentos de eficiência imediata como as cirurgias plásticas, são cada vez mais procurados, e em especial o público brasileiro ocupa 2º lugar no ranking mundial de cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos e seus dr. Rey. 


Seja para uma tentativa de alcançar a perfeição ou seja para a melhora de uma deficiência que atrapalha na satisfação pessoal de um ser, tratamentos e cirurgias cada vez mais se aperfeiçoam e criam novas soluções para as imperfeições. Para a melhora de uma imposição do culto de uma ideologia de beleza essencial de traços curvilíneos e friamente calculados em seu cada centímetro criado por um dos seres mais perfeitos e insatisfeitos em sua naturalidade que circulam na Terra: o ser humano.
Apesar dos apesares, das dores de um pós-cirurgico, ou de tratamentos estéticos mais invasivos, que prazer não é para qualquer pessoa olhar-se no espelho e sentir-se satisfeito com sua imagem. O preço da beleza? Depende de quem a procura.
O limite é o céu e tudo será feito para que suas queixas desapareçam. Doutores da beleza e cremes milagrosos, vieram para cumprir uma profecia já dita a tempos atrás por ninguém menos que um grande admirador da beleza, Vínicius de Moraes:
'As feias que me perdoem,  mas beleza é fundamental'.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Gotas tão grandes quanto seu coração.

A chuva cai lá fora, as gotas batem tão forte no vidro que parecem que farão com que ele trinque. Trinque e saia rasgando ele até o topo e caia em mil pedaços no chão.
O frio parece nem dar um sinal, e o vapor abafado da chuva sobe e dá a sensação de uma sauna abafada, quente e úmida. Assim como meu coração.
Apertado de coisas pra gritar pra o mundo ouvir. Quente de tanto amor reprimido. Úmido pelo efeito que outros orgãos fazem derramar pequenas gotículas, como a de uma garoa.
Não existe frio para acalmá-lo; nem um pano quente para secá-lo. Seus botões, parecem que vão estourar, e a linha não é forte o suficiente para segurá-los. Quem sabe assim seja melhor. Até sua garganta agradeceria, pois até ela sofre com tal grito preso dentro dela.

Saiu para se molhar na chuva, para refrescar um pouco de sua cabeça, e talvez, até esfriar um pouco do seu coração.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É hora de voar...

Te ouvi falando sozinho no quarto. Resmungando sobre mim e minhas idéias pra você tão malucas. Quem sabe não estivesse falando sozinho, e sim falando alto pra alguém que ouvisse suas preces e me modifica-se. Me trouxesse pequena de novo. Sem opiniões, sem diálogos, apenas grunhidos e babadas seguidos de risadas gostosas que os bêbes geralmente dão quando lhes coçam a barriga.
Também falei sozinha no meu canto, porém baixinho, para que ninguém escutasse, a não ser eu mesma. Escutei-me um pouco, e quando achei que tivesse uma frase já bem formulada, me engasguei.
Um engasgo tão sufocante que fez com que meus olhos enchessem de lágrimas tão quentes que pareciam ter em cada uma que escorria um sentimento diferente.
Crescer é uma missão que é tão difícil pra você quanto pra mim, basta olhar nos nossos olhos repletos de desespero, culpa e dúvida. Onde só deviam brilhar para esse mundo de coisas novas.
Basta abrir seu coração, e deixar seu pequeno passarinho, finalmente, voar pelas próprias asas.

Dolce far niente...

Olhou o Sol já raiando na grande janela de sua varanda. Pequenos feixes de luz atravessavam as cortinas cruas e iluminavam parte do quarto cor-de-rosa bebê. Cobriu a cara com o travesseiro e se perguntou o por quê da segunda feira já ter chego, e desejava um controle remoto que pudesse passar tudo pra frente.
Voltou a sonhar mais um pouco, na esperança que passasse mais rápido. Abriu novamente os olhos, agora com o despertador tocando The Beatles alto na sua cabeça, eram seus favoritos, mas não naquele horário.
Fez como faz toda manhã. Escovou os dentes, dormiu fazendo xixi, lavou o rosto e quando se olhou no espelho,  a sensação de 'saco cheio' veio a tona.
Com isso, decidiu colocar em prática uma expressão italiana: dolce far niente. Essa expressão, deixa clara o modo de vida tão prazeroso (e até preguiçoso) que os italianos levam a vida. Sua tradução leva a frase 'o doce fazer nada' ou seja, um ócio prazeroso.
Colocou uma roupa confortável e se entregou por completo a expressão o que a fez notar as coisas melhor. Fez tirar proveito de coisas tão simples que faziam se sentir tão bem.
Deitar no sofá e passar os canais apenas com uma camiseta velha e larga de seu pai, passear na rua para observar a variedade de pessoas fascinantes que existem no mundo, tomar um sorvete tão gelado que até sua cabeça chegou a doer. Passear durante horas em uma livraria, e sentar no chão com uma pilha de livros, de todos os tipos, para sonhar um pouco com todas aquelas histórias, guias de viagens, comidas que um dia poderiam se realizar em sua própria vida.
Parou para falar sozinha e disse a si mesmo: 'entendo agora, porque os italianos dão tantas gargalhadas gostosas'. Sentiu falta até de parlar seu italiano e comer um belo spaghetti e no final usar outra velha expressão: 'Manja che te fa bene'!
Sentiu-se mais leve depois disso, e pela primeira vez, soube tirar proveito de algo que parecia tão errado, o ócio. Deu-se um tempo para não pensar em nada, apenas para sonhar um pouco acordada.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Defeitos

São feitos de mal feitos,
e até podem surgir dos feitos bem até demais.
Feitos que não são tão perfeitos, pelo olhar de quem os vê.

Assim, defeitos são perfeitos, se bem feitos.
Se bem vistos desse jeito.
Feitos, feitos de defeitos e enfeitos,
encaixados perfeitamente, numa vasta gama de feitos que no final, buscam a perfeição.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mony, a super-heroína.

Hoje, começo aqui uma nova linha de textos, quem sabe com continuidade, quem sabe não...tudo depende de como isso vai fluir. Começo a saga de uma super-heroína, que tinha como codinome Mony.
O primeiro capítulo:
Eu, monstro?!

Mony era uma menina quase mulher, e por estar nessa fase de transição, a descoberta de que era uma super-heroína (como nos desenhos) foi muito mais difícil de ser aceita.
Descobriu poderes como: criação de uma esfera de proteção contra outros vilões, raios azuis contra ataques surpresas, pele elástica e também, poder de se teletransportar, o qual ainda aperfeiçoava.

Era manhã de quarta-feira, estava mais uma vez, atrasada para o primeiro horário e sem que ninguém visse, tentou se teletransportar para faculdade. Porém, como dito anteriormente, esse poder não estava totalmente desenvolvido, logo, a aterissagem de suas viagens normalmente eram em locais próximos e errados do que o que escolhia.

Caiu no chão com força e bateu a cabeça. Abriu os olhos ainda com a visão embaçada, e o pouco que conseguiu enxergar, foi uma sombra vindo em sua direção.
O local cheirava poeira, terra seca, mofo e calor. Não conseguia reconhecer ao menos onde poderia se encontrar (o que de costume conseguia). Existiam vários caixotes empilhados e um espelho no meio deles.
Com o susto da sombra, levantou-se rapidamente e perguntou:
-Quem está aí?-o silêncio permaneceu e apenas barulhos de passos podiam ser ouvidos-Fale logo, eu posso fazer algo contra você sem querer...

A sombra desaparecera, sem nenhuma explicação. Seu coração pulsava rápido, suas mãos suavam frio e mesmo com seus poderes, a paura era tanta, que impedia de realizar qualquer movimento.
Andou em direção ao espelho, pois era de onde vinha o pouco da luz do local, e ao olhar nítidamente viu o que se escondia na sombra, uma versão sua, porém borrada. Inocentemente, tentou limpar o espelho e nesse movimento, foi agarrada por uma mão asquerosa que saira de dentro dele. Tentou se soltar, e todo e qualquer esforço foi em vão.
O borrão de sua forma riu alto e disse: -Ei Mony, a muito tempo esperava por esse encontro...é mais fácil desistir antes de seu pulso machuque mais e você não terá pra quem gritar.

Mony, em um ato de desespero, com a outra mão tentou quebrar o espelho, e nesse soco, o espelho apenas brilhava como um espectro. Começou a gritar: -Quem é você?! O que quer?
O vulto, mediu cada milímetro de seu corpo e sem hesitar sussurou: - Você!
Já nesse ato, uma nuvem negra a cobriu e com o gás que parecia tóxico, desmaiou.

Horas depois acordou no banheiro de sua faculdade, sentada em um dos boxes. Mony ficou confusa com toda aquela situação a acreditava até na possibilidade de tudo aquilo fosse um pesadelo e que acabará de acordar e felizmente, conseguirá se teletranportar para o lugar certo.
Se arrumou e levantou o pulso para ver o horário em seu relógio quando viu as marcas de dedos compridos e arranhões. Aquilo não foi um sonho.
Ao sair do box, olhou-se de longe no espelho e não se reconheceu. A imagem era grotesca, e de si mesma, só que dessa vez imitava cada movimento seu, e não falava. Não era a imagem que antes tinha visto, era mesmo de si própria, sem borrões, apenas deformações.
Jogou a mochila contra o espelho, que dessa vez, se partiu em mil pedaços e correndo, foi em direção a sua sala.

No caminho, aos prantos, encontrou Livea, sua colega de sala: -Livea! O que está acontecendo com a minha cara? Com meu corpo? Eu me transformei da noite para o dia! Estou horrível, desfigurada!
Ao ver o desespero da amiga, Livea a pegou pelo braço e levou em uma sala vazia: - Amiga, você enlouqueceu? Você não pode sair correndo e gritando assim pelos corredores, e ainda mais falando coisas como essa...
-Mas olhe para mim! Como você não vê?!
-Ny, tudo que vejo é você de sempre, porém suja de terra e fedendo a suor...o que você andou aprontando?
-Como assim? Eu estou transformada, e não sei o que aconteceu...a sombra apareceu em um espelho num lugar escuro, e me teletransportei involuntáriamente para cá e quando me olhei no espelho, vi esse monstro que agora sou eu!
-Ahn, que história é essa? Teletransportar? Você usou alguma droga?
-Ai meu Deus, eu falei demais...existe muita coisa que você precisa saber ainda...

Mony nunca tinha citado nenhuma de suas capacidades espetáculares para nenhuma de suas amigas, e agora, precisava abrir o jogo.
Se via horrível, e queria entender por que somente ela se enxergava assim. Para isso precisava de ajuda, e rápido.




Continua no próximo capítulo...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vazio.

Fazia tempo que ela não se via assim.
Fazia tempo que não se sentia assim.
Esse sentimento que não te deixava pra cima,
Que a espancava com um taco de beisebol.
Essa sensação de ardor nas cordas vocais, por querer gritar.
Esse barulho de eco,
Essa visão, que parecia voltar a ter, de si mesmo, como um nada.

Esse conjunto de coisas, que não sabia porque, mas que sugaram uma energia que antes estava tão vívida.
Sua cabeça pesa em cima de seus olhos cansados.
Ela se retorce na cama, se embrulha no cobertor e faz uma prece, quem sabe num sonho bom encontraria a resposta para isso.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

As boas vindas paulistanas.

Um bafo quente de poluição.
O barulho dos carros raivosos no trânsito caótico.
As pessoas sem interesse pela vida por causa da correria.
O táxi que não chega em casa,
O telefone que não para de tocar e eu nem cheguei!
E uma menininha, encantada, brincando com uma florzinha no meio de todo aquele asfalto, ela sim me entendia.

De que será que vale tudo isso se não podem ver, como essa garotinha, a magia daquelas pétalas cor-de-rosa e roxa?
Fiquei surda, fiquei muda, meu pé começou a balançar.
Esquento o leite, coloco o achocolatado. Ele não fica mais gostoso.
Sobra tanta falta nisso tudo.

Vejo em cartaz uma peça no teatro, e meu lado mais idoso, não quer sair para badalar numa sexta. Quer apenas ver um improviso de atores ao vivo.
Será que alguém vê ainda beleza nisso também?

Azarados esses cegos, pois minha visão de caleidoscópio, assim como a peça, só tende a se expandir nessa bagunça que chamo de cidade grande. Tende a achar o encanto nesse asfalto quente.
Pra tentar compensar, essa sobra.

Faz silêncio. Silêncio seco. Nem a música o atrapalha.
Faz um friozinho agradável, e a cama deve estar gelada, sem o que aquecer.
O que fazer, no que pensar! Ah, esse primeiro dia sempre é assim: estranhamente enjoativo.

Quer assistir a uma peça teatral?

Av. Paulista, por T. Quadros.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ao meu herói.

Um grande dia acaba de começar, seu dia.
Dia do meu super-héroi.
Do meu oráculo.
Do meu ídolo.
Do cabeça dura e coração mole.
Dia de ninguém mais do que metade da razão para eu estar aqui escrevendo, você, papai.

Quem diria, é a primeira vez que escrevo publicamente para você. Sem ser uma cartinha colocada debaixo da sua porta, para você ler quando acordar. Sem ser um bilhetinho de desculpas, ou um saquinho com sabonete Dove costurado torto pra você lembrar de mim no trabalho.
Hoje, é algo dedicado somente a você. E que gostaria que o mundo soubesse.

Soubesse o pai maravilhoso que tenho. Soubesse que sou filha da melhor pessoa do mundo.
Tá, eu sei o quanto que isso pode ficar absurdo pra quem lê, e até pra quando lermos quando discutirmos feio, mas sabe, é do fundo do meu coração mole e teimoso como o seu.
À 72 anos, vovó deu a luz a quem viria a ser, meu pai, e que na época, só passava de um menino travesso.
Autor de todas as maiores malandragens de Montes Claros, Cerdônio Dias de Quadros, não era só um menino rebelde que odiava o colegial, era um revolucionário do amor e da compaixão.
Lutador de seus direitos e da felicidade geral. Sem interesse algum em nada em troca, apenas a felicidade do próximo. Mesmo um próximo que o prejudicará, munido de um amor incondicional pelo ser humano. Pelo sorriso sincero de alguém.

E ainda mais quando esse alguém é seu bibelô, sua boneca.
Protetor, acolhedor, amigo e conselheiro. Nunca impositor, sempre um grande professor.
Se hoje, sou o que sou, é graças a todas as lições de casa que me passou.
De todas as broncas e discussões com choro no banheiro, e dias se falando friamente.
Mas também de brincadeiras e abraços infindos, compensadores de qualquer coisa, e como se fossem um 'Delete' para qualquer coisa ruim.

Nos meus 15 anos eu cantei pra você, uma música que é só sua. Nos 18 fiz nosso nó infinito, nosso amor eterno. E hoje, apenas escrevo algo simples assim para te homenagear, e te falar o quanto é importante pra mim. O prazer de morar ao seu lado. O prazer de te ver com um sorriso lindo no rosto quando se orgulha e conta piadas. A alegria de te abraçar depois de dias sem te ver, e também a cada despedida.
O seu som no telefone me falando o quanto fica feliz ao me ver feliz.
As piadas sobre tudo, que me fazem esquecer de qualquer problema.
As palavras de apoio e incentivo.

Eu não sei como te agradecer, ou ao menos tentar, por tudo que fez e faz por mim, e assim prefiro agradecer a alguém maior, por ser abençoada pelo pai que tenho.
Apesar das teimosias, das longas discussões sem acordo, cada vez que recebo um alô, ou bom dia carinhoso, tudo parece sumir. Tudo se torna colorido de novo.
Esse ano, vencemos mais uma batalha, sempre juntos. E seja onde for, quando for, aqui ou em outro lugar do universo, sabemos que temos um ao outro, e isso é o que importa.

Feliz aniversário, papai.
Que a felicidade que você proporciona pra cada ser volte em dobro para você. Que Deus abençoe, proteja e ilumine cada passo seu, guiando para um caminho de iluminação e paz divina.
Você merece a alegria infinda, o amor incondicional e puro que sempre repassou, e com certeza, tem de quem te quer bem.

Sua Pacha, será pra sempre sua. Branquinha, pequenina e cheia de manhãs de uma filhinha do papai, com coração e humildade de seu criador.

E pra encerrar, quero dizer que uma das certezas que tenho, é que:

"Esteja onde estiver
Passe o tempo que passar
Não importa quando
Eu sei que o nosso amor será
Pra sempre"



Sua Pacha.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

"Pouco tempo, muita coisa..."

Eu tenho muita coisa pra escrever, e na verdade, já escrevi mas fiquei com vontade de mais.
Vontade essa que terei sempre pois não sei o como falar tudo em poucas linhas,
em poucos versos, ou alguma cantiga.
São só palavras.
Palavras tentam expressar algo que eu não sei como dizer.
Achava que elas falavam por mim, mas com você, descobri que o silêncio vale mais.
Vale muito mais.

Palavras não conseguem descrever o que sinto quando cruzo meu olhar com o seu.
Que só esse olhar, que é somente de mim pra você, e de você pra mim,
Consegue falar, gritar, sorrir e transmitir.

No ninho dos seus braços, um carinho no cabelo quase do tamanho do seu,
Um aconchego quente pra dormir apoiada, com um beijo de boa noite na testa,
Regado de tantas coisas que eu não sei falar. Só sei sentir.
Assim como você, também que não sei explicar.

Passou tempo, e nesse tanto passar de dias, que pra mim parece que foi ontem,
descobri que valeu.
Valeu arriscar e jogar tudo pro alto.
Valeu ter determinação, ter vontade de "nós".
Valeu não querer ser só uma.

Senti medo, senti receio, descobri ter uma coragem que não tinha.
As vezes de cabeça erguida, outras nem tanto,
mas impulsionada por uma força até absurda, que tinha na sua essência uma certeza.

Mais uma vez "pouco tempo, muita coisa".
Muita coisa que só eu sei que senti,
que só eu sei que aprendi.

Tempo que me fez ver muitas coisas, que minha cegueira não permitia
e você, só você, me fez enxergar.
Foi uma porta pra um mundo novo incrível!
Cheio de cores, cheiros e gostos diferentes.
De texturas novas, suaves, quentes e frias.

Hoje, eu gostaria de verbalizar o que é amor, e descobri que não consigo.
Descobri que ele não é verbalizado e sim sentido, assim como você.
Logo, descobri o que é amor: você.

Você.
Eu.
Um nós, só nosso.


Nós.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O tempo.

O tempo, medida de nos localizarmos em nossas vidas. É um parametro igual para todos, e com isso passamos nossa vida, sem tirar uma coisa de nossas cabeças, em momento algum, esse tempo.
 Seja pelo nascer e pôr-do-sol, ou o clarear da lua. Sabemos que o tempo passa de alguma forma, e as vezes tão rápido que quando notamos, aquele milésimo de segundo tão importante já se foi.

O tempo é marcado pelos ponteiros do tic-tac do relógio, pela luz, pela rotina e também por acontecimentos.
Acontecimentos que marcam, que fazem ver tantas coisas que passaram e pareceram poucas semanas, mas na verdade, fazem um ano de vida.

De uma mudança significativa, e que apareceu na hora exata, no momento necessário, sem precisar mais ou menos, veio completo.
Quem diria, ou sonharia com isso. Ela um dia teve medo de acreditar. Medo de fazer errado, medo do incerto. Medo até de ser feliz.
E hoje só abre um sorriso brilhante, não por todo o tempo que passou, mas com que tanto viveu, o tanto que aprendeu e assim, cresceu e cresce. Desabrocha e assim, perfuma sua própria vida.

Viveu e vive mais do que anos e anos que se passaram sem muito fazer, em apenas um ano.
Um tempo de milênios. Um dia marcado.



domingo, 18 de julho de 2010

Para pensar, sobre não pensar.

"Amar é a eterna inocência, 
e a única inocência é não pensar..." (Fernando Pessoa) 
Pensar cansa,
Pensar faz confundir, e até desiludir.
Pode fazer ter razão, e quem sabe, conexão.

Mas de que seria de mim,
Se tanto esperasse de algo e com isso pensasse demais.

Faria pouco, faria até nada.
Desiludiria, perderia cor.
Perderia o sentir do não tátil e que só se sente com o que se vê.

Com isso, prefiro ver, e não pensar
Somente observar.
Tirar de cada muito que vejo, um pouco de sua essência.
Assim, juntando em mim, todas as belezas do não notado, por ser pensado.

Tendo em mim, todos os sonhos do mundo...

Carandaí - MG

terça-feira, 13 de julho de 2010

Na fazenda.

A limonada daquele limoeiro
O cheiro da terra seca, que ataca minha rinite
O cascalho que faz tropeçar e cortar os joelhos tão branquinhos, como a neve.
O quarto do vovô com seu chapéu e chicote.
O som alto pelas caixinhas coloridas.

Lembranças de uma família e amigos, todas situadas num mesmo local que até hoje, reúne as mais incríveis experiências.

A piscina já foi piscina, casa dos coelhos e hoje até é horta,
dos mais fresquinhos vegetais.
O galinheiro não é mais a casa das penosas, e sim,
abrigo para o milho que por ser cultivado com tanto carinho naquele solo, que ao assar na fogueira sob uma noite de luar, tem cheiro e sabor característico, só dele.

Os boizinhos e as vaquinhas pastam serenamente ostentando todo o orgulho de habitar aquele lugar.
Os passarinhos tem canto mais doce, o galopar dos cavalos é mais macio, e a água do rio tem a temperatura exata para entrar e pegar girinos que são fáceis de localizar pela transparência da água.

O engenho se assemelha a uma máquina do tempo e ao entrar e começar todo o processo artesanal de fazer a mais docinha rapadura, com toda a família, até os ancestrais se levantam de seus túmulos para presenciar um momento de tanta alegria e fraternidade.


O cheiro da comida no fogão a lenha e o espetáculo mais encantador: o planetário natural.
É possível observar rodas as estrelas e planetas. Também cometas e a via láctea, com tanta nitidez, que seu branco é igual ao leite, como se papai-do-céu tivesse pintado cada mínimo detalhe para contemplarmos sua arte no sereno frio, e mesmo assim, aconchegante, da madrugada.


E a dádiva de energia, abençoou o meu pedacinho tão grande do paraíso: os cristais.
Surgiram do nada e nos concebem belezas únicas. De todos os tamanhos e formas, até de coração já surgiu! Como na casa de Tio Alcino, só que lá, esses cristais chegaram até a virar lenda. De tanto que brilhavam durante a noite, refletindo os raios da Lua, assemelharam-se a faróis de um carro que parecia nunca chegar...

Essas e mais um monte de magias s ó acontecem lá, na fazenda.
E o jeito mais doce de finalizar, é com uma cantiga de autoria de minha mamãe para a pequena Thaís, sobre meu pedaço do céu:

"Era uma casa bem fechada,
abre a janelinha, deixa o sol entrar.

Perto da casa, tinha uma árvore
E os passarinhos, pousam nela sim!
E os passarinhos, cantam nela sim!

Perto da casa tinha uma ponte,
e debaixo dela, o rio passava..."

a 'Fazendeira'.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma humana, com disfarce de ET.


Eu posso parecer que não sou desse mundo, mas por destino, eu nasci na Terra e sou humana, assim como você que está lendo (e se não for, me avise, tenho vontade de conhecer um extraterrestre).

Eu sinto dor, medo, frio e calor.
Sinto fome, tesão e saudade.
Sinto vontade, sinto sono.
Também sinto o azedo do limão e o doce do quindim.

Preciso de amor, carinho e atenção.
Tenho problemas, tenho carências, tenho defeitos.
Eu erro, eu caio, eu magôo
Eu tenho sentimentos e as vezes sofro com eles.
Tenho compaixão e paciência.
Eu desculpo e isso não muda tudo da noite pro dia.
Assim como me decepciono, e pra não ficar triste, finjo que não aconteceu.

Eu dou risada até minha barriga doer, brinco como se tivesse 5 anos e dou cambalhota na grama
Choro como bebê. Corro e me escondo do que, pra mim, é o bicho-papão.
Eu fujo do real, mas também não fico no surreal.
Eu faço carinho e manha.
Sei ser mulher e sei ser menina.

Faço coisa errada que pra mim é certo.
Faço o que tenho que fazer mesmo que não goste.
Posso fazer alguém sorrir, como chorar
Dou colo, dou amor, dou atenção e calor.

Eu sou agradável e ao mesmo tempo chata.
Depende. Do que? Também depende.
Sou constante e tenho picos.
Me contento com o pouco, porém desejo mais.
Posso dar a maior atenção para uma gota de chuva na janela,
Como posso não notar o que é óbvio.

Mas eu sou real, de carne, osso e um monte de sonhos.
Acredito na paz mundial, no amor como prioridade e no milagre da vida.
Sou cheia de mistérios e vontades.
Sou gente grande, mas não adulta.
Eu irradio amor.

Posso não parecer mas sou normal. Não comum, mas normal. Quem sabe se eu fosse verde, aí sim, eu seria mais normal.
Mas faço como todo mundo:
  "Pra falar verdade, as vezes minto... Tentando ser metade do inteiro que eu sinto".
                                  (Cuida de mim, Teatro Mágico)



 a Humana.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Minha receita da felicidade.

Usufruir do que nos é apresentado,
dar um nó sem precisar de corda,
viver do que é essencial,
apreciar a beleza na simplicidade,
amar incondicionalmente,
fazer o bem a todos,
deixar algo especial por cada um que passar em nossas vidas,
aprender nos erros,
se levantar mais forte a cada queda,
tirar proveito de tudo que acontece, pois nada, nem ninguém, aparece por 'acaso'.
Se dar motivos para sorrir a todo segundo,
agradecer pelo nosso maior bem, a vida.


Isso é viver feliz!


meu Nó Infinito.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ah, o brigadeiro...

Eu gosto de brigadeiro, gosto muito
de tanto gostar, chego até amar!
Mas estava pensando, será que gosto mesmo dele,
ou gosto do leite condensado?
ou do chocolate?
Não sei o por quê disso!
Se gosto porque é doce,
ou porque me deixa feliz!
Se é por derreter na boca,
ou instigar a menininha dentro de mim a se sujar toda.
Não sei por quê desse gostar,
como não sei o de tantos outros.

Prefiro não saber o que condiciona isso.
Quem sabe não tenha por quê,
Quem sabe seja um monte de 'gostos' juntos em uma coisa,
ou apenas o cheiro dele quente na panela...
Não sei o por quê, e por não saber, é mais gostoso, é mais sincero
Não é necessário entender...

Só sei que continuarei a amar brigadeiro, assim como outras coisas e pessoas, incondicionalmente.


a Gordinha.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Indagação da minha loucura, seus porquês, e mais porquês...

Descubro agora, do nada, e sem nenhum pré-cursor pra isso, que sou louca. Completamente louca.
Sempre me disseram, nunca acreditei. Quando parei pra pensar, é a mais pura realidade.
Não uma louca como no dicionário, ou até no modo que as pessoas classificam 'loucura'. Uma louca com a minha própria loucura, loucura essa que só eu possuo.
E como escrever sobre loucura? E ainda mais sendo, nesse caso, a autora a própria louca. É mais louco ainda! Me sinto mais insana que o Chapeleiro Maluco*, perguntando, a famosa questão sem solução: qual a semelhança entre o corvo e uma escrivaninha? Nem ele, nem Lewis Carroll sabiam a resposta. Ou sabiam, e morreram com ela. Mas, o chapeleiro morreu? Não, não, a pergunta correta seria: se o autor é o criador do personagem, como o personagem poderia saber da resposta e o autor não?
Mas a resposta dessa pergunta não é o foco principal desse texto, quem sabe de um futuro...Quero falar da mais sórdida insanidade, causada pela única certeza que temos na vida: a dúvida. E não venha me dizer que temos outras pois não temos. A morte não é certeza. Como sei que vou morrer? Do modo que andam as coisas até disso passei duvidar, sem contar as outras milhões de coisas que antes pareciam tão certas e se tornaram dúvidas.
"-Será que eu sou louca?
-Você é louquinha, mas vou te contar um segredo, as melhores são"!
Novamente o Chapeleiro aparece!
Não só eu, como uma pancada de malucos (e aí sim) como eu, pensam desse modo. O filósofo mundialmente conhecido, Descartes, é um desses. Para os desinformados, ele estabeleceu a dúvida como método para provar verdades absolutas, imprescindíveis e de reconhecimento universal, tal como exige na questão da 'possibilidade' de conhecimento.
Outro que também pensou assim é ninguém menos que Fernando Pessoa: "Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro", e também quando citou "Duvido, logo penso".
Até eles pensaram assim! Logo, não falo isso do nada, e porque sou surtada, tenho sim meus precursores. Alguns da minha própria imaginação, outros não tão famosos e uns que são uns pé-rapados mesmo, que se você esbarrasse na rua não lhe chamaria a atenção, seria apenas mais alguns na multidão, e que pra mim fazem uma diferença enorme.
ÉPOCHE, é um conceito-chave da fenomenologia contemporânea que se trata do repouso mental pelo qual nada afirmamos e nada negamos, assim exploramos o quanto não sabemos para atingir impertubalidade. Até um termo para isso existe!

O mais estranho é gostar dessa certeza duvidosa. Não só gostar, mas me fascinar por ela. Não sei se é pelo frio na barriga por não saber o que vai acontecer, ou se é porque gosto de não ter certeza do futuro e assim poder torcer, sonhar e talvez mudá-lo. Devem existir muitos porques para o por quê de eu gostar disso, mas acho que nunca vou descobrir a raiz disso, e por enquanto só vou curtir esse meu fascínio.

Viu, é isso! Quantos 'mas' eu já coloquei nessas poucas linhas que escrevi?! É isso! A resposta da insanidade está no não saber, é a possibilidade de muitas respostas com perguntas que nunca chegaram ao fim. Logo, abrangendo um mundo muito maior de possibilidades, o que torna muito mais legal de se viver.
Tá, vou admitir, eu não acho que essa seja a resposta toda. Parte dela, mas não toda. Ainda tenho muito que descobrir sobre, e quem sabe um dia não descubro a resposta.
Mas se descobrir o por quê, não serei mais louca pois saberei o que é minha insanidade e isso seria tão chato... Deve ser estranho ser normal, sabe um dia eu não provo como é ser assim, 'regular'. Mas só por um dia.

Tentar descobrir essa resposta da loucura, essa é uma missão que deixo para os normais, diferentes de mim...

a Louca.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Meu presente.

Não veio numa caixinha, muito menos com lacinhos e frufrus em cima. Não era estático, nem pequenininho, logo, não poderia colocá-lo na estante. É quente e frio ao mesmo tempo. Tem sabor, tem cores, tem cheiro. Transmite uma boa energia, proporciona carinho e conforto. Ri como criança, conversa com virtudes, encanta com o seu brilho, e o melhor de tudo, tem vida!
Apareceu do nada, me deu um susto, e me fez tremer. Me faz sorrir só de lembrar, e fez sentir-me completa e querida nesse final de semana tão importante.
Eu tinha a sensação que brilhava como o sol e que estava tão leve quanto uma pena. Que cada sorriso, era como uma garotinha de 3 anos impressionada com o mundo novo que acabará de perceber. Foi como num filme da Disney, que de tanto se desejar, meu sonho, se tornou realidade.
Acho que estou aqui tentando descrever a sensação daquele, deste, de todos os momentos que estou com ele, e acho que não vou conseguir nem chegar no começo dessa descrição.

Esse presente não foi só no dia do meu aniversário, ganhei faz um tempinho e nem imaginava que um dia pudesse ser tão importante. Desse mesmo presente ganho tantos outros que ele me dá e só eu mesma posso guardar. Sua companhia, seu sorriso, seu abraço, seu beijo, seu jeito de falar comigo, sua paciência são pecinhas acopladas nesse presente.
Ter que devolvê-lo e sentir saudades, são condições pré-descritas no seu manual. Essas daí, me perturbam um pouquinho, mas são superadas ao vê-lo de novo.

Se dar de presente é o gesto mais nobre e de tamanha consideração que não tenho nem palavras para conseguir agradecer, mas que, com certeza, posso e quero retribuir com o mesmo.

PS: E mesmo que pra mim não valha nem o um poquinho do quanto que gostaria de agradecer, quero dizer: muito obrigada.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O notar do antes, despercebido.

Olhei para o lado, e logo vi-a. Era estranho, era sem sentido, não me despertou nada de primeira. Ao voltar observá-la novamente, me fez algum sentido, e assim me chamou a atenção.
Era ela, uma folha. No meio do tapete do corredor do meu apartamento, no vigésimo andar, numa cidade de cimento, São Paulo, por isso sua aparição foi tão estranha.
Não sei como chegou, como foi parar ali, nem a quanto tempo estava apenas ali, jogada, sem nenhuma outra ao seu lado. Ao chegar perto e ao tocá-la, um flashback de sua origem, a qual havia devorado segundos atrás, e agora estava dentro de mim.
Essa singularidade me prendeu. De uma forma inexplicável. E de tão instigante, me mostrou o por quê daquilo.

Pequenas coisas surgem pra lembrar outras. Essas outras que tem uma dimensão muito maior do que, nesse caso, essa pequena folha.
Essa lembrança, na realidade, é um fato, pois não foi esquecido, e está vívido em minha mente, as vezes um pouco perturbada, em cada segundo do meu dia.
Traz paz, alegria, conforto.
É um artigo no meu museu de novidades. É saudade, é dúvida.

Nessa dúvida, uma certeza: em mim, algo semeou.
Fez crescer, e na primavera, florecer. E quase no apse de sua primavera, um temporal chegou, impedindo-a de amadurecer, e sem mais recursos, adoeceu. Perdeu sua cor, murchou, se despedaçou. Mas, sua base, firme permaneceu e resistiu. Tirando de cada dia nublado, a esperança do raiar solar. E sem muita demora, ele voltou a brilhar. Fortalecendo-a e fazendo brotar novos botões, com pétalas finas e aveludadas, guardando seu perfume para seu desabrochar, que não deve demorar.

sábado, 1 de maio de 2010

Milagres

O que é 'milagre' pra você? Algo realizado que parecia ser impossível, ou algo tão desejado que ao se tornar realidade é um? Existem milhares de definições, e cada uma delas, é a mais pessoal possível.
Uma delas, é a minha, e que aprendi a ver a pouco tempo. São os mais sutis, os menos notados. Como um simples desabrochar de uma flor, ou o bater de asas de uma borboleta. A água caindo de uma cachoeira, o barulho que as ondas fazem, o nascer e o pôr do sol. O nascer de uma criança, o poder do amor, o valor imenso de um abraço que vale mais que palavras, a sincronia entre pessoas. O sorriso, o suspirar, o desejar, o querer bem, a compaixão. O milagre da vida.
Milagres tão belos quanto os mais notavéis, e esses pequenos, normalmente, passavam em branco, como se fosse cotidiano, sem o mínimo de esmero.
Aprender a notá-los, é outro milagre. Saber dar o valor que eles merecem, engrandece. E quando perceber, notará a beleza que a vida tem diante dos seus olhos nos mais sutis detalhes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Às mulheres.

Se existe alguém para falar para as mulheres, no nosso dia, acho que ninguém melhor do que uma delas, que ainda é nova nisso de 'ser mulher' mas que já tem uma quantidade imensa de experiências como qualquer outra de alguns anos a mais.
Nós lutamos a vida toda por uma utopia de vida brilhante: ser a melhor e a mais bonita no colégio, namorar o cara mais gato, entrar em uma boa faculdade, casar (e manter esse casamento feliz), ter uma carreira de sucesso (diga-se de passagem, que possa pagar suas dívidas e seus surtos no shopping), ter filhos, criá-los, e assim poder ser uma velha bonita, gostosa e feliz. Baboseira.
Tá, nem tanto do ponto de vista de quem lê e acha isso um modo bonito de viver, mas na prática, amiga, você já deve ter percebido que é um tanto mais difícil do que o conto de fadas.
Nossa primeira frustração: o colégio. Onde tudo acontece e sua vida gira ao redor dele, e das pessoas que o freqüentam também. O lugar onde cultivamos amiguinhos e amiguinhas que serão pra sempre, até você descobrir que aquela sua coleguinha, que parecia tão sua amiga, agarra o seu tão esperado namorado dos 'sonhos'. Aquele cara que você emagreceu 5 kg só pra se sentir mais bonita e assim chamar a atenção, pra quem você disse 'eu te amo' e foi pra cama com mil promessas bonitinhas (canalha).  O lugar também onde achamos que aprendemos tudo sobre a vida e quando saímos descobrimos que fomos enganadas. Que as aulas de matemática e literatura, não fazem você ganhar porra nenhuma na vida.
A segunda é: tentar encontrar um cara suficientemente parecido no modo de agir do seu pai, mas que não imponha regras como ele, que te dê amor e carinho, pague suas contas, te de presentes e mimos, e seja lindo e  bom de cama. Impossível, mas nos conformamos com aquele cara que tem algo de estranho mas te chama a atenção e te dá o carinho e o amor que você tanto precisa, todos os dias 24 horas e principalmente, que te aguente e ainda sim, diga que te ama na TPM.
A terceira é quando você, após ter estudado na melhor faculdade, ter um cargo miserável em uma empresa onde seu chefe não consegue entender o por quê é tão difícil se concentrar e executar seu trabalho de maneira aceitável quando se está na TPM e por isso não acha que está apta a ganhar uma promoção. Logo, você não tem o dinheiro para seus surtos e a esse ponto, seu maridão que, só toma cerveja no sofá vendo futebol, não paga nem um fio de uma blusa descosturada.
Você fica grávida e tudo é lindo, até engordar 14 kg e mesmo após ter o seu lindo bêbe, eles não desaparecem. As rugas aparecem, o tesão do seu marido por você diminui (e até o seu por ele também), as crianças crescem e vão para o mundo. Finalmente o seu final triunfante que não é tão lindo como no seu sonho.
Mas mesmo assim, apesar de tudo isso parecer um tormento e um sofrimento, tudo é, e foi incrível. Somos felizes e ainda mais, admiravéis. Enfrentamos tudo isso e muito mais de cabeça erguida, sorrindo mesmo quando só o que restam são lágrimas. Damos amor e calor humano, quando o seu homem (que mesmo que não seja como o descrito, é perfeito pra você) ou melhor amiga precisa e nos sentimos melhor ainda por poder dar conforto. Parecemos estar sobre o efeito de um gás hilariante quando ouvimos um 'eu te amo' da pessoa amada, e isso é o bastante para que o resto seja fácil de enfrentar.
Andamos de salto alto mesmo com dor só para nos sentirmos mais confiantes. Choramos como bebês na alegria de ver um sonho nosso, ou de alguém querido, se realizar. Choramos de saudade, de bobeira, de um filme até! Sentimos cólica e ainda sim ficamos muito felizes quando nesses dias, ganhamos um chocolatinho e um colo quentinho pra se aconchegar. Acordamos cedo, dormimos tarde e mesmo assim, com uma ressaca gigantesca, chegamos ao trabalho bonitas e ainda contando piadas.
Somos únicas. Incomparáveis. E mesmo que a vida, as vezes, apresente dificuldades, sabemos que podemos enfrentar sorrindo, e seguir felizes, moldando sonhos a nossa realidade e aos milhões de sentimentos, que só nós, conseguimos sentir de uma vez e ainda lidar, em apenas segundos.
Nos parabenizo não apenas por esse dia, mas por todos que vivemos e mostramos que, o sexo frágil, na realidade é o mais forte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tudo depende de você!


Hoje, recebi um e mail que começava de tal forma:
"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho.
É viver cada momento e construir a felicidade aqui e agora.. Claro que a
vida prega peças."
É, sem dúvida ela prega muitas peças. Algumas delas tão pequenas e mesmo assim fazemos uma tempestade pelo bolo que não cresceu, o dia de muita chuva, o elevador que demora pra subir, o trânsito que não anda quando você só quer ver a sua cama.
E as vezes (a maioria delas) são essas bobagens que acabam com nosso dia e fazem com que mais probleminhas virem problemões.
Sabe, percebi que quero viver, e se me privar desse milagre por 'pequenos erros de gravação' não vou fazê-lo ao máximo.
2009 foi um ano cheio. De coisas boas e ruins e esse não será diferente. Podem os anos, séculos, milênios se passar que o homem continua o mesmo, imperfeito. E por fazer parte dessa população, pra que estragar com o meu bom humor, esperança por não entender atitude de outros? É necessário sabedoria, para aprender com essas imperfeições e erros, para transformar tudo que sabemos em boas experiências.
Afinal, por pior que seja a situação, você pode encontrar um bom motivo para sorrir. E por menor que seja, faça-o o maior! Faça-o a história que um dia você irá contar para o seu neto ou filho, faça essa gargalhada a mais gostosa e deixe o mundo sorrir pra você.
2010, será um ano maravilhoso! Só depende de você!